Publicado 26 de Maio de 2021 - 14h35

Por Rodrigo Piomonte/Correio Popular

Paciente é transferido para setor de emergência do Ouro Verde: ocupação de leitos voltou a crescer

Ricardo Lima/Correio Popular

Paciente é transferido para setor de emergência do Ouro Verde: ocupação de leitos voltou a crescer

A Prefeitura de Campinas informou ontem que a cidade voltou a registrar aumento no número de casos de contaminação pela covid-19 dando entrada nos hospitais públicos e particulares, além dos centros de saúde nas últimas três semanas. O fato, segundo a administração, acende o alerta para o município da chegada de uma terceira onda de transmissão do coronavírus caso os números continuem registrando alta nos próximos dias.

Outro fato preocupante ocorre com a ocupação de leitos na cidade, que voltou a crescer. Depois de um leve respiro, o sistema de saúde municipal volta a enfrentar um esgotamento, inclusive com pacientes aguardando leitos. Atualmente, a fila por uma vaga em um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), que chegou a ser zerada, já conta com nove pessoas.

"Estamos com uma espera rápida, mas a sobrecarga no sistema já está sendo sentida. E isso é um sinal de aumento na transmissão e circulação do vírus. Nós não podemos relaxar. Se os números continuarem subindo, podemos sim estar próximos da chegada de uma terceira onda", informou o secretário de Saúde Lair Zambon.

Leitos

O cenário fez inclusive a Rede Mário Gatti, que administra os hospitais municipais Mário Gatti e Ouro Verde, além do hospital Metropolitano que está sob intervenção administrativa da Prefeitura, rever um processo de readequação de leitos covid para não covid. "Estávamos em um processo de readequação devido a pressão de leitos não covid, mas vamos aguardar. Estamos iniciando, inclusive, um reagendamento das cirurgias eletivas quando possível", disse o presidente da Rede Mário Gatti, Sérgio Bisogni.

De acordo com informações do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa), nas últimas três semanas, os indicadores acompanhados pelo município para monitorar a incidência de contaminação do vírus na cidade e que estavam controlados apresentaram aumento de 36% quando analisado o número de pessoas atendidas em hospitais e centros de saúde com síndromes respiratórias, casos leves e graves.

"Esse aumento chama a atenção das nossas equipes técnicas da Secretaria de Saúde e da Rede Mário Gatti. Nós temos acompanhando não só os indicadores tradicionais, mas com muito cuidado o número de pacientes atendidos nos centros de saúde e gripários municipais, por isso nos chama muita atenção esse aumento", disse a diretora do Devisa, Andrea Von Zuben.

Ainda conforme o monitoramento da Prefeitura, a preocupação com a maior circulação do vírus se confirma com a quantidade de testes PCR positivados a cada dez realizados. Segundo a Devisa, nesse indicador houve também aumento de 30% de testes positivos.

A informação sobre o aumento da circulação do vírus na cidade nas últimas três semanas ocorreu por meio de uma entrevista coletiva transmitida pelas redes sociais. Nela, o prefeito Dário Saadi (Republicanos) atualizou os casos de contaminação na cidade.

Até terça-feira (25), o número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus saltou para 100.930, após novas 470 confirmações. A cidade somou mais 25 mortes pela covid-19, o que elevou o total de vítimas para 3.284 desde o início da pandemia.

"Identificamos também que o perfil das pessoas infectadas vem sendo pessoas adultas jovens, com maior incidência entre pessoas de faixa etárias entre 39 e 49 anos. Fazemos um apelo aqui para a população evitar as aglomerações", disse o prefeito.

 

 

Especialista alerta para

novo cenário dramático

 

A decisão da flexibilização antecedendo o Dia das Mães foi realmente precipitada. Essa é a avaliação de especialistas em relação ao início do registro de aumento de casos de contaminação pela covid-19 em Campinas. Diante do fato, a expectativa é de uma possível volta de um cenário dramático de falta de leitos e mortalidade.

De acordo com a infectologista Raquel Stuchi, da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a flexibilização foi iniciada com taxas de ocupação de leitos ainda em níveis muito altos. "Na minha maneira de ver não haveria outra expectativa senão a de um aumento no número de casos", disse.

Segundo a especialista, a necessidade de internação e aumento da capacidade de ocupação dos hospitais no limite torna o momento muito preocupante, o que pode refletir em aumento de mortalidade nas próximas semanas. "A partir do momento que se flexibiliza é reflexo que tenha uma mudança de comportamento. As pessoas passam a sair mais e isso favorece uma maior transmissão. Favorece um recrudescimento da pandemia", explica.

Na avaliação da médica, a única maneira de frear o ciclo de transmissão é buscar aumentar a vacinação. "Assim poderia-se flexibilizar sem reflexos na taxa de ocupação de leitos e na mortalidade", disse.

De acordo com dados da Secretaria de Saúde, Campinas tem avançado com qualidade na vacinação e já conta com cerca de 25% da população imunizada com a primeira dose. Ao todo 295 mil pessoas receberam a primeira dose da vacina e 152 mil a segunda.

 

Viracopos terá que notificar entrada

de passageiros do Maranhão e Argentina

Cidade reforça vigilância contra nova cepa indiana

 

O Departamento de Vigilância em Saúde de Campinas, (Devisa) informou ontem que encaminhou um comunicado aos profissionais de saúde das redes pública e privada, além do aeroporto internacional de Viracopos para que seja reportado imediatamente casos de pessoas ou passageiros que vierem do Maranhão e da Argentina suspeitos ou com sintomas de covid atendidos na cidade.

O estado do Maranhão e a Argentina são locais em que há casos confirmados de circulação da nova cepa indiana. Vale ressaltar que Campinas não recebe voos diretos da Índia, mas que pessoas que estiveram no país recentemente e apresentarem sintomas respiratórios serão questionadas no município.

De acordo com a Prefeitura, no comunicado a Prefeitura reforça que os médicos realizem o protocolo de questionamento aos pacientes que forem atendidos com sintomas gripais. A intenção é identificar se eles viajaram recentemente e quais os lugares que visitaram, e se tiveram contatos com pessoas da Índia.

Em caso de confirmações a Devisa deverá ser informada para a tomada das providências de isolamento do paciente e investigação de possíveis contatos que ele tenha feito no município. "Não podemos proibir pessoas de entrarem no município como, por exemplo, impor alguma ordem ao aeroporto de Viracopos que é de jurisdição do governo Federal”, disse.

A diretora do Devisa, Andrea Von Zuben comentou sobre a preocupação quanto ao impacto da cepa indiana na cidade. "Caso essa nova cepa chegue ela será semelhante ao da P-1, com disseminação muito rápida. Precisamos estar preparados", disse.

 

Mulher de 80 anos morre

em surto no Mário Gatti

 

Paciente estava internada no setor de ortopedia e se infectou no hospital

A Rede Mário Gatti confirmou nesta terça-feira a morte de uma paciente de 80 anos, internada no setor de ortopedia, que morreu infectada pelo surto de covid-19 que atingiu o hospital na primeira quinzena deste mês. O surto foi identificado no setor de ortopedia do hospital e atingiu pacientes e médicos residentes. No total 11 pacientes foram testados. Seis apresentaram contaminação. Entre os médicos, 25 foram testados e 11 apresentaram contaminação. Todos os casos leves. A paciente que veio a óbito não havia sido imunizada.

A Prefeitura apura as circunstâncias. E atribui a contaminação a um fato que pode acontecer em uma pandemia dentro de um ambiente hospitalar, mesmo que todas as precauções estejam sendo tomadas.

Segundo a Rede Mário Gatti, ainda estão sendo apuradas de que forma ocorreu o surto dentro do hospital. Sabe-se apenas que foi multifocal, ou seja, apareceu em áreas diferentes, entre elas o setor de ortopedia.

Se a contaminação partiu de dentro do hospital ou de fora, ainda está em apuração. Uma suposta "festa" de médicos residentes fora do hospital também é investigada como uma possível causa. No entanto, ainda nada dá para ser afirmado, segundo a Rede Mário Gatti.

Desde que foi detectado o surto, os pacientes suspeitos foram separados de locais e os médicos que testaram positivos foram afastados. O hospital informou que está tomando todas as precauções para evitar novos surtos, mas reconhece que o ambiente hospitalar em um momento de pandemia isso pode acontecer. A investigação também se estende para o s outros hospitais da rede, como o hospital Ouro Verde e o hospital Metropolitano.

 

 

 

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Rodrigo Piomonte/Correio Popular