Publicado 26 de Maio de 2021 - 11h46

Por Rodrigo Piomonte/Correio Popular

Enfermeira entra no Hospital Metropolitano, em Campinas: após breve interrupção, unidade voltará a operar com leitos exclusivos para pacientes com covid-19

Ricardo Lima/Correio Popular

Enfermeira entra no Hospital Metropolitano, em Campinas: após breve interrupção, unidade voltará a operar com leitos exclusivos para pacientes com covid-19

A Prefeitura de Campinas informou ontem que a cidade voltou a registrar aumento no número de casos de contaminação pela covid-19 dando entrada nos hospitais públicos e particulares, além dos centros de saúde nas últimas três semanas. O fato, segundo a administração, acende o alerta para o município da chegada de uma terceira onda de transmissão do coronavírus caso os números continuem registrando alta nos próximos dias.

Outro fato preocupante ocorre com a ocupação de leitos na cidade que voltou a crescer. Depois de um leve respiro, o sistema de saúde municipal volta a enfrentar um esgotamento, inclusive com pacientes aguardando leitos. Atualmente, a fila por uma vaga em um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), que chegou a ser zerada, já conta com nove pessoas.

"Estamos com uma espera rápida, mas a sobrecarga no sistema já está sendo sentida. E isso é um sinal de aumento na transmissão e circulação do vírus. Nós não podemos relaxar. Se os números continuarem subindo, podemos sim estar próximos da chegada de uma terceira onda", informou o secretário de Saúde Lair Zambon.

Leitos

O cenário fez inclusive a Rede Mário Gatti, que administra os hospitais municipais Mário Gatti e Ouro Verde, além do hospital Metropolitano que está sob intervenção administrativa da Prefeitura, rever um processo de readequação de leitos covid para não covid. "Estávamos em um processo de readequação devido a pressão de leitos não covid, mas vamos aguardar. Estamos iniciando, inclusive, um reagendamento das cirurgias eletivas quando possível", disse o presidente da Rede Mário Gatti, Sérgio Bisogni.

De acordo com informações do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa), nas últimas três semanas, os indicadores acompanhados pelo município para monitorar a incidência de contaminação do vírus na cidade e que estavam controlados apresentaram aumento de 36% quando analisado o número de pessoas atendidas em hospitais e centros de saúde com síndromes respiratórias, casos leves e graves.

"Esse aumento chama a atenção das nossas equipes técnicas da Secretaria de Saúde e da Rede Mário Gatti. Nós temos acompanhando não só os indicadores tradicionais, mas com muito cuidado o número de pacientes atendidos nos centros de saúde e gripários municipais, por isso nos chama muita atenção esse aumento", disse a diretora do Devisa, Andrea Von Zuben.

Ainda conforme o monitoramento da Prefeitura, a preocupação com a maior circulação do vírus se confirma com a quantidade de testes PCR positivados a cada dez realizados. Segundo a Devisa, nesse indicador houve também aumento de 30% de testes positivos.

A informação sobre o aumento da circulação do vírus na cidade nas últimas três semanas ocorreu por meio de uma entrevista coletiva transmitida pelas redes sociais. Nela, o prefeito Dário Saadi (Republicanos) atualizou os casos de contaminação na cidade.

Até ontem, o número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus saltou para 100.930, após novas 470 confirmações. A cidade somou mais 25 mortes pela covid-19, o que elevou o total de vítimas para 3.284 desde o início da pandemia.

"Identificamos também que o perfil das pessoas infectadas vem sendo pessoas adultas jovens, com maior incidência entre pessoas de faixa etárias entre 39 e 49 anos. Fazemos um apelo aqui para a população evitar as aglomerações", disse o prefeito.

Especialista alerta para novo cenário dramático

A decisão da flexibilização antecedendo o Dia das Mães foi realmente precipitada. Essa é a avaliação de especialistas em relação ao início do registro de aumento de casos de contaminação pela covid-19 em Campinas. Diante do fato, a expectativa é de uma possível volta de um cenário dramático de falta de leitos e mortalidade.

De acordo com a infectologista Raquel Stuchi, da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a flexibilização foi iniciada com taxas de ocupação de leitos ainda em níveis muito altos. "Na minha maneira de ver não haveria outra expectativa senão a de um aumento no número de casos", disse.

Segundo a especialista, a necessidade de internação e aumento da capacidade de ocupação dos hospitais no limite torna o momento muito preocupante, o que pode refletir em aumento de mortalidade nas próximas semanas.

"A partir do momento que se flexibiliza é reflexo que tenha uma mudança de comportamento. As pessoas passam a sair mais e isso favorece uma maior transmissão. Favorece um recrudescimento da pandemia", explica.

Na avaliação da médica, a única maneira de frear o ciclo de transmissão é buscar aumentar a vacinação. "Assim poderia-se flexibilizar sem reflexos na taxa de ocupação de leitos e na mortalidade", disse.

De acordo com dados da Secretaria de Saúde, Campinas tem avançado com qualidade na vacinação e já conta com cerca de 25% da população imunizada com a primeira dose. Ao todo 295 mil pessoas receberam a primeira dose da vacina e 152 mil a segunda.

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