Publicado 25 de Maio de 2021 - 13h23

Por Ana Cristina Andrade/Gazeta de Piracicaba

O delegado da Polícia Federal, Júlio Sávio Monfardini, durante a entrevista coletiva ontem em Piracicaba:

Mateus Medeiros/Gazeta de Piracicaba

O delegado da Polícia Federal, Júlio Sávio Monfardini, durante a entrevista coletiva ontem em Piracicaba: "Praticamente tudo é reastreável e indentificável"

Sete homens, com idades entre 23 e 51 anos, moradores em Piracicaba, foram presos desde o início deste ano até ontem pela Polícia Federal local, envolvidos com crime de exploração sexual de crianças e adolescentes via internet. Esse é um número muito superior aos anos anteriores no combate a esse tipo de delito. Em 2020, houve cumprimento de 7 mandados, com 6 prisões em flagrante e, em 2019, de 4 mandados, com 2 prisões em flagrante.

Em 2020, a Polícia Federal cumpriu, no Brasil, 213 mandados de busca e apreensão e, em 2021, já foram 114 mandados. Os dados estatísticos foram divulgados ontem pelos delegados Júlio Sávio Monfardini e Melissa Maximino Pastor - esta última chefe da Delegacia da PF -, os quais receberam a imprensa para uma entrevista coletiva.

Outros dois casos foram registrados em Americana, cidade onde no ano passado um crime chamou a atenção pelo fato de o pedófilo estar abusando sexualmente da própria filha, registrando as imagens e as compartilhando com outros exploradores sexuais.

A operação, que resultou na prisão dele, foi batizada de “Lençóis Floridos”, pela dr. Melissa, porque na casa do acusado foi encontrado o mesmo lençol que aparecia nas imagens pornográficas do Facebook.

Sobre o aumento dos casos, o delegado acredita que a pandemia pode até ter contribuído para esse crescimento, mas que o acréscimo decorre do aumento de policiais trabalhando nesse tipo de investigação e dos cursos de aperfeiçoamento aos quais eles são submetidos.

"Temos policiais dedicados a essa modalidade de investigação, que tratamos de proativa, porque começa aqui, a partir de informações que recebemos da Interpol ou de outras forças de segurança", disse a autoridade federal.

A denúncia de crime de exploração sexual, segundo Monfardini, chega pelos mesmos canais usados para as demais denúncias: Disque Denúncia, que é o 181, ou mesmo pelas delegacias, entretanto, a atribuição da Polícia Federal é diferente. “O tráfico que nós da PF investigamos, por exemplo, é o tráfico internacional. No caso da pornografia infantil pela internet, o trabalho da PF é focado naquilo que atinge vítimas indeterminadas”, explica.

Como exemplo ele destaca os sistemas de compartilhamento “P2P - Peer to Peer” que significa “par a par”. O nome se refere ao formato à disposição dos computadores interligados à rede, em que cada computador conectado realiza as funções de cliente e servidor ao mesmo tempo.

Se uma pessoa já usou softwares como o Kazaa, eMule, LimeWere, Shareaza, Bittorre t e outros do gênero para fazer downloads de qualquer tipo de conteúdo, ela já esteve conectada a uma rede “P2P”.

Monfardini também exemplificou como a PF faz para chegar a um conteúdo pornográfico ou a quem está compartilhando.

“A polícia da Alemanha, por exemplo, identificou lá um pedófilo com muito material, e um dos contatos dele é uma pessoa do Brasil, conforme acusou o IP (Internet Protocol). Essas informações vêm pelos canais oficiais e é feita uma pesquisa de geolocalização para descobrir onde está sediado esse IP. Assim a investigação vai prosseguindo”, destaca. “Muitas pessoas cometem esse crime achando que a internet é um campo seguro e isso não é verdade. Praticamente tudo é rastreável, é identificável. Algumas até migram para sistemas mais complexos, mas dispomos de ferramentas para identificação”, acrescenta.

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Ana Cristina Andrade/Gazeta de Piracicaba