Publicado 23 de Maio de 2021 - 13h12

Por Gilson Rei/Correio Popular

Washington Nonato de Oliveira adotou o ciclismo como forma de lazer, junto com o filho Felipe, de 11 anos

Diogo Zacarias/Correio Popular

Washington Nonato de Oliveira adotou o ciclismo como forma de lazer, junto com o filho Felipe, de 11 anos

Com a entrega das ciclovias Pirelli/Sírius e Campos Elíseos/Vila Aeroporto, na primeira quinzena de abril em Campinas, ciclistas da cidade voltaram a cobrar da Prefeitura a instalação de ciclovias ao longo do trajeto do BRT (Bus Rapid Transit) - conforme previa o projeto original da obra de mobilidade urbana, em 2011. Os ciclistas mobilizam-se também para que o prefeito Dário Saadi coloque em prática a Carta Compromisso assinada por ele na campanha eleitoral em prol da Mobilidade Sustentável, que estabelece a meta de 200 km de ciclovias na cidade.

Os dois trechos novos permitiram à Prefeitura a inclusão de mais 5 km de ciclovias, totalizando 72 km instalados na cidade, que representam 36% do total anunciado como meta do novo prefeito. Falta, ainda, a construção de 128 km, ou 64% em ciclovias e ciclofaixas.

Irineu Ramos, representante do Coletivo de Ciclistas de Campinas e do Grupo de Ciclistas Pé na Estrada, da região do Campo Grande, lembrou que a instalação de ciclovias está muito lenta desde a gestão passada, que havia se comprometido com a construção de 100 km de ciclovias nos oito anos de mandato.

A promessa, segundo Ramos, foi feita em 2012 no primeiro ano do governo Jonas Donizette. "Os trabalhos foram acelerados no ano passado, porém, até o momento estão faltando 28 km para chegar neste compromisso do governo anterior", disse. Por isto, os ciclistas querem que o prefeito Dario garanta a construção dos 128 km restantes nos quatro anos de mandato dele.

BRT

Ramos destacou também que o projeto original do BRT contemplava a inclusão de ciclovias, porém, a medida foi retirada. "Foram excluídos do projeto do BRT um total de 10,2 km de ciclovias ao longo da avenida John Boyd Dunlop, no distrito do Campo Grande", disse. "O Plano Cicloviário apontava essa construção na fase três e dizia, ainda, que projetos de transportes como BRT, VLT, deveriam promover a integração do modal bicicleta e seus equipamentos complementares como paraciclos e bicicletários, em seus terminais e estações de transferência", exemplificou.

Outra reivindicação dos ciclistas é a instalação de uma ciclovia no trajeto do BRT, do corredor Ouro Verde, seguindo pela avenida das Amoreiras. "Como a Prefeitura alegou que não é viável construir ciclovia na avenida das Amoreiras, a sugestão é de utilizar o corredor Perimetral, no antigo leito do VLT para a construção de ciclovia. Existe espaço suficiente e é um trajeto plano", disse.

Ramos lembrou também que a Prefeitura não está cumprindo a lei municipal nº 13.288, de 2008, que institui o Sistema Cicloviário de Campinas. "Esta lei obriga a Prefeitura a construir ciclovias em novas pontes, túneis e avenidas, construídas a partir de 2008. Isto não está acontecendo. Uma ciclovia no corredor Perimetral seria uma das vias a serem contempladas nesta lei", comentou.

Periferia

Segundo Ramos, a falta de ciclovias em Campinas ocorre principalmente na periferia, nas regiões do Campo Grande e Ouro Verde, onde grande parte da população utiliza a bicicleta para ir ao trabalho. O ciclista destacou que um levantamento da Prefeitura apontou que mais de 40% da população do Campo Grande se locomovia por transporte ativo em 2011, ou seja, a pé ou de bicicleta. "Só isto já seria uma razão para instalar mais ciclovias".

As sondagens recentes mostram que este número aumentou. "A contagem era de um ciclista a cada três minutos na avenida John Boyd Dunlop e atualmente é de um ciclista a cada minuto", revelou. "A opção da Prefeitura em priorizar carros e ônibus em detrimento de bicicletas é uma questão ideológica e demonstra que o Poder Público faz uma reserva de mercado de passageiros para as empresas de ônibus", criticou.

Os grupos de ciclistas revelaram, com números exatos, o aumento no uso deste meio de transporte. Em 2015, a média era de um ciclista a cada 2 minutos e 50 segundos, ou 35 ciclistas em 100 minutos. Em 2019, chegamos a um ciclista a cada um minuto e 50 minutos, ou 54 ciclistas em 100 minutos.

Na contagem atual, a média passou a ser de um ciclista a cada um minuto e 20 segundos, ou 77 ciclistas em 100 minutos. Um aumento de 120% quando comparado com 2015 e de 43% em comparação com 2019.

Usuários pedem interligação com Avenida das Amoreiras

Anésio Antonio Ribeiro, fotógrafo aposentado, morador no Jardim Campos Elíseos, levou o neto Felipe, de 8 anos, para pedalar na ciclovia Campos Elíseos/Vila Aeroporto.

"A ciclovia ficou muito boa e agradável para pedalar. Estou usando-a como área de lazer com o neto. Foi uma benção, pois com a pandemia, não existem áreas abertas em parques. A única reclamação é que não há uma interligação com as ruas de outros bairros e com a Avenida das Amoreiras. Nessas vias, não é possível pedalar, nem adultos e muito menos as crianças", comentou.O jardineiro Francisco Inácio dos Santos, que mora na Vila Vitória e usa o acostamento da Avenida Amoreiras para ir ao trabalho, disse que deveria ter ciclovia nessa avenida ou nas vias próximas, até o bairro Vida Nova e região do Ouro Verde.

"As vias principais são repletas de carros, ônibus e caminhões. É um perigo para os ciclistas, que têm que trabalhar com a bicicleta. É preciso pedalar no acostamento e ninguém respeita. Já fui atropelado uma vez", afirmou.

Sobre a ciclovia no Campos Elíseos, ele disse que é uma boa opção para o lazer dos moradores da região e bom para o deslocamento dentro do bairro. Vitor Guedes, morador do Jardim Florence, metalúrgico aposentado, disse que a pista da ciclovia Pirelli/Sírius ficou muito boa para circular internamente no bairro

e ir até a região dos bairros Sírus e Cosmos. "Apesar disso, a ciclovia tem alguns pontos de risco de acidentes, em alguns cruzamentos da ciclovia com a pista destinada a outros veículos. Carros e motos cruzam em alta velocidade e os locais são de pouca visibilidade", alertou. "As travessias em duas curvas são muito perigosas. O ciclista tem que parar e, mesmo assim, tomar muito cuidado para não ter acidente", disse.

"Outro problema é a falta de ligação com a Avenida John Boyd Dunlop", finalizou.

O garçon Washington Nonato de Oliveira, morador do bairro Sírius, foi pedalar com o filho Felipe, de 11 anos, na ciclovia Pirelli/Sírius. "Estou desempregado por conta da pandemia e a ciclovia está sendo muito útil para o lazer e para a prática esportiva com o meu filho", afirmou.

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Gilson Rei/Correio Popular