Publicado 22 de Maio de 2021 - 12h13

Por Gilson Rei/Correio Popular

Estrada vicinal em más condições liga precariamente o Jardim Florence, no Campo Grande, ao Ouro Verde: distritos querem conexão com qualidade e segurança

Kamá Ribeiro/Correio Popular

Estrada vicinal em más condições liga precariamente o Jardim Florence, no Campo Grande, ao Ouro Verde: distritos querem conexão com qualidade e segurança

Interligar com eixos viários os distritos do Campo Grande e Ouro Verde - duas grandes ilhas urbanas de Campinas - foi a principal proposta apresentada por lideranças das duas regiões na Comissão de Estudos sobre o Desenvolvimento do Campo Grande, quinta-feira passada, na Câmara Municipal. Os dois distritos concentram aproximadamente 500 mil habitantes, a metade da população de Campinas, porém estão separados. Por isso, a população local pede a criação de vias para ter maior mobilidade urbana, qualidade de vida e desenvolvimento socioeconômico.

O presidente do colegiado, vereador Cecílio Santos (PT), comentou que o distrito do Campo Grande tem uma grande atividade econômica, com muitos comércios e pequenos negócios que geram renda e empregos na região. "Porém, a população da região aponta a necessidade de interligação viária com o distrito do Ouro Verde, que também tem grande atividade. As duas regiões interligadas vão poder se conversar melhor e garantir um desenvolvimento maior, resultando em qualidade de vida para a população", afirmou.

Segundo Cecílio, os representantes do Campo Grande levaram esta proposta de união dos distritos, indicando a criação de alguns eixos e solicitando a melhoria de vias alternativas que hoje estão precárias e causam acidentes por falta de infraestrutura. Sugeriram também a interligação dos terminais de ônibus do transporte coletivo das duas regiões.

O vereador explicou que muitos serviços existentes em um distrito ficam próximos de bairros de outro distrito, porém não há interligação. "Muita gente precisa, por exemplo, dos serviços bancários da Caixa ou do Banco do Brasil. As agências ficam próximas, mas não há um acesso. É necessário percorrer muitos quilômetros, dar uma volta enorme e causar congestionamento no trânsito, perdendo tempo e dinheiro", disse.

Uma das propostas apresentadas indica a criação de um novo eixo, partindo do Terminal Itajaí até o Terminal Vida Nova. Atualmente, existe uma área desabitada entre os dois terminais. "Esta proposta está prevista no Plano Diretor de Campinas e depende da aprovação de um empreendimento no local, que permitirá a construção deste eixo viário", disse o vereador. "Quando for aprovado, haverá a interligação dos terminais Itajaí e Vida Nova, abrindo uma via entre os dois distritos. Isso vai interligar também aos terminais Ouro Verde, Vila União e Campo Grande, estabelecendo um anel entre os terminais", comentou.

Outra via importante apontada pelos representantes do Campo Grande seria a interligação do bairro Jardim Novo Mundo com o Jardim Florense, utilizando também uma gleba desabitada. "Seria uma via paralela à avenida John Boyd Dunlop, que beneficiaria moradores dos dois bairros, desafogando, inclusive, o trânsito na região, que tem aproximadamente 140 mil habitantes", afirmou Cecílio.

Infraestrutura

Outra proposta é de melhorar a infraestrutura da via de atalho ao lado da linha férrea que liga atualmente o bairro Jardim Florence, no distrito do Campo Grande; aos bairros Mauro Marcondes e Vida Nova, no distrito do Ouro Verde. O acesso é pela avenida Nelson Ferreira Souza até a avenida Camucim.

Segundo Cecílio, este atalho é usado como alternativa por milhares de moradores dos dois distritos, mas a infraestrutura é precária. "Não tem asfaltamento seguro, tem muitos buracos, pedras pelo caminho. Trechos de terra e sem sinalização ou iluminação", comentou.

Estas propostas serão incluídas no conjunto de demandas em um relatório da Comissão de Estudos sobre o Desenvolvimento do Campo Grande a ser entregue, até o mês de agosto, ao prefeito Dário Saadi (Republicanos). "O objetivo é protocolar o relatório ao prefeito para que ele considere as propostas na elaboração da lei do Plano Plurianual", comentou.

População

Bernadete Torres Lourenço, comerciante que reside no distrito do Campo Grande, disse que a interligação vai facilitar a vida de todos que residem nos dois distritos. "Para ir do Campo Grande ao Ouro Verde, tem que dar uma volta enorme. É um trajeto que leva quase que na região do Centro de Campinas. Acaba perdendo muito tempo e gasolina tanto para o comércio como para a população como um todo", afirmou.

Victor Hugo Bregion, cabeleireiro, morador do Jardim Florense, disse que é fundamental melhorar o atalho que liga a avenida Nelson Ferreira Souza até a avenida Camucim, entre os distritos do Campo Grande e Ouro Verde. "Tá muito ruim e não tem iluminação. O pessoal que pilota motocicleta sofre porque sempre acontece de furar o pneu", reclamou.

Claudete Aparecida Ferreira, agente de limpeza, moradora do Jardim Florense, seguia ontem com sua bicicleta na via alternativa ao lado da ferrovia. "Vou sempre de bicicleta porque é mais perto por este caminho. Porém, é muito perigoso", disse.

Darci Pereira, motorista aposentado, morador do Vida Nova, alertou também que o atalho ao lado da linha férrea precisa ter uma infraestrutura adequada e segura. "Sou morador antigo da região e este atalho surgiu no governo do Hélio porque ele fez uma ponte no Jardim Florence. Depois não fizeram mais nada e a estradinha da cerâmica passou a ser usada como atalho. Hoje tem um movimento intenso aqui e já teve muitos acidentes. Tem que asfaltar e ter estrutura decente", comentou.

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Gilson Rei/Correio Popular