Publicado 22 de Maio de 2021 - 11h30

Por Rodrigo Piomonte/Correio Popular

Paciente internado com covid-19 aguarda atendimento médico na emergência do Hospital Mário Gatti: índice de internações deixa de ser relevante para monitoramento da pandemia

Diogo Zacarias/Correio Popular

Paciente internado com covid-19 aguarda atendimento médico na emergência do Hospital Mário Gatti: índice de internações deixa de ser relevante para monitoramento da pandemia

A experiência de municípios no enfrentamento da segunda onda da pandemia da covid-19 foi apresentada em encontro virtual ontem organizado pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP). A ideia do encontro foi compartilhar protocolos desenvolvidos por cidades que integram o consórcio e permitir melhor planejamento para a chegada da terceira onda da pandemia.

Na apresentação, a Prefeitura de Campinas apresentou os indicadores não convencionais de monitoramento precoce, desenvolvidos e aplicados da área hospitalar, laboratorial e de adoecimento e que permitiram que a cidade apresentasse resultados melhores que os do Estado, a partir da análise dos indicadores.

Segundo a experiência da cidade, a avaliação desses indicadores permite acompanhar as mudanças no padrão epidemiológico da pandemia, ajudar a antecipar informações para o sistema de saúde, evitar sobrecargas, e ajudar na tomada de decisões minimizando os danos causados pelo novo coronavírus.

Além de Campinas, a cidade de Cascavel, no Paraná, também apresentou a experiência de vacinação de profissionais da área da educação, que garantiu a retomada das aulas presenciais em tempo recorde. O evento foi aberto pelos prefeitos de Aracaju (SE), Edvaldo Nogueira, e de Palmas (TO), Cinthia Ribeiro, e contou com a participação do prefeito Dário Saadi (Republicanos), que é também vice-presidente de Saúde, da FNP.

O atual presidente da FNP, Edvaldo Nogueira, falou da importância de ações coordenadas entre as cidades para melhorar o enfrentamento à pandemia. "Estamos agora em um momento muito importante do combate à pandemia. Distanciamento e medidas de prevenção estão sendo tomadas a partir do esforço gigantesco dos prefeitos e governadores e muitas vezes não provocam o efeito desejado", disse.

Monitoramento precoce

A diretora do Departamento de Vigilância Epidemiológica de Campinas (Devisa), Andrea Von Zuben, explicou que o monitoramento foi desenvolvido a partir de dados coletados durante a pandemia. O eixo de morbidade monitora a variação do número de casos de síndromes gripais e do número de sintomáticos respiratórios que chegam às unidades de saúde. Um aumento sustentado por duas semanas superior a 100% indica que em quatro ou cinco semanas começará a ter sobrecarga hospitalar.

O eixo laboratorial monitora a variação no número de testes RT-PCR para covid-19 coletados e taxa de positividade. "Se começa a aumentar o número de positivos por semana é sinal que a circulação viral aumentou e em entre duas a quatro semanas teremos uma onda hospitalar importante", explicou Andrea.

Outro eixo é o monitoramento da proporção de casos moderados e graves que demandam leito hospitalar em relação ao total de síndromes respiratórias notificadas. Na avaliação da experiência campineira, se pautar apenas no número de hospitalizações e no aumento de casos graves são considerados indicadores tardios. "É preciso observar o número de casos de síndromes gripais e a variação do número de sintomáticos respiratórios nas Unidades Básicas de Saúde (UBS)", explicou a diretora.

Na opinião da epidemiologista, quando existe a internação, por exemplo, muita coisa já aconteceu antes, como pessoas transmitindo a doença para outras pessoas. "Nesse momento já tem muita gente infectada, por isso esse indicador é considerado tardio", explica.

Em Cascavel (PR), a prefeitura optou por vacinar os trabalhadores da educação adotando a metodologia do coeficiente de incidência por bairro, em detrimento do critério de idade decrescente. Isso permitiu o retorno às aulas por completo em todas as escolas, minimizando os riscos.

Participaram da transmissão o secretário de Saúde de Campinas, Lair Zambon, o prefeito de Florianópolis (SC), Gean Loureiro, e a epidemiologista e consultora da FNP e do Conectar Carla Domingues.

Campinas inova e obtém bons resultados na pandemia

Para explicar como as ações de monitoramento precoce ajudam na tomada de decisões antecipadas e podem fazer a diferença no combate a uma terceira onda da pandemia, a diretora do Departamento de Vigilância Epidemiológica (Devisa), Andrea Von Zuben, fez uma comparação entre os números de Campinas e do Estado.

Segundo ela, na questão da variação semanal de óbitos, atualmente, o Estado apresenta uma queda de 4,1%, em Campinas a queda é de 41,8%. Outro dado apresentado foi o de número de casos por 100 mil habitantes. O Estado soma 388 casos de covid-19 por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias, enquanto em Campinas soma 291 casos.

Em abril, Campinas registrou queda de 13,1% nas mortes na comparação com março (pior mês da pandemia na cidade). Já o Estado, teve em abril 42% de aumento de mortes em relação ao mês anterior.

Mas vale destacar que, apenas neste ano, Campinas já superou o número de óbitos por covid em relação ao ano passado.

Até ontem, o total de mortos na cidade desde o início da pandemia era de 3.245, 15 a mais que no dia anterior. Além disso, a cidade se aproxima da marca de 100 mil casos de pessoas contaminadas. A Prefeitura confirmou que nas últimas 24 horas ocorreram novos 360 casos de contaminação pelo novo coronavírus. 

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Rodrigo Piomonte/Correio Popular