Publicado 21 de Maio de 2021 - 10h44

Por Rodrigo Piomonte/ Correio Popular

Depois de passar o dia todo no Hospital Mário Gatti para ser atendida por um oncologista, Maria Geralda de Jesus, 92 anos, cobre o rosto com as mãos, enquanto aguarda sua neta conseguir uma ambulância para retornar a Itapira, por volta das 17 horas

Ricardo Lima/Correio Popular

Depois de passar o dia todo no Hospital Mário Gatti para ser atendida por um oncologista, Maria Geralda de Jesus, 92 anos, cobre o rosto com as mãos, enquanto aguarda sua neta conseguir uma ambulância para retornar a Itapira, por volta das 17 horas

A Rede Mário Gatti de Urgência, Emergência e Hospitalar, que administra os hospitais municipais Mário Gatti, Ouro Verde e Metropolitano, informou que uma das linhas de apuração sobre o surto de covid-19 dentro da unidade cirúrgica do Hospital Municipal Mário Gatti seja um possível encontro entre médicos residentes fora do complexo hospitalar. O surto no hospital, que já está controlado, gerou críticas do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Campinas (STMC), de usuários e provocou momentaneamente a suspensão de cirurgias ortopédicas e o afastamento de médicos.

O fato foi relatado em reportagem do Correio Popular do último dia 14. Até agora, segundo informações da Rede Mário Gatti, 11 pacientes e 28 médicos residentes estão sendo monitorados. Cinco pacientes da unidade cirúrgica já testaram positivo e outros seis aguardam o resultado dos exames. Além disso, cinco residentes também testaram positivo para a doença e 19 médicos estão sob investigação. Outros dois casos em médicos residentes deram negativos e já foram descartados.

De acordo com o presidente da Rede Mário Gatti, Sérgio Bisogni, a comissão de infecção hospitalar do hospital Mário Gatti detectou o aparecimento de covid-19 positivo, inicialmente, em um paciente e em dois médicos residentes no dia 14. A partir dos casos, o problema foi identificado como um surto intra-hospitalar dentro da unidade cirúrgica do hospital. "Iniciamos a investigação de todo o entorno dos pacientes para identificar como foi adquirido a patologia", disse Bisogni.

A partir da constatação do surto, o presidente da Rede Mário Gatti informou que foram adotados todos os protocolos para esse tipo de caso, como a separação e o isolamento dos pacientes positivos e suspeitos. "Cada um foi colocado em uma ala diferente e os médicos residentes com casos suspeitos afastados". A comissão de infecção hospitalar do hospital apurou que o surto foi multifocal, descartando a contaminação pontual na unidade cirúrgica. "Parece que teve algum local do hospital que começou, mas também tivemos relatos de reuniões extra-hospitalares de médicos residentes, então estamos tentando monitorar todas as opções e assim que tiver uma notícia fidedigna vamos divulgar".

O presidente aproveitou para informar que a Rede está monitorando não somente o Hospital Mário Gatti, mas todas as outras unidades. "Estamos com o surto controlado e monitorando não só o hospital Mário Gatti como toda a rede", explica.

Itapirense de 92 anos sofre 6 horas na fila

O Hospital Municipal Mário Gatti teve ontem mais um dia bastante complicado com relatos de demora no atendimento e sobrecarga de trabalho entre os profissionais. A acompanhante Leticia de Lima, 30 anos, moradora de Itapira, que fazia companhia para a avó Maria Geralda de Jesus, de 92 anos, paciente de oncologia, relatou o drama de aguardar quase seis horas por um atendimento agendado no hospital. "Eu e minha avó chegamos aqui para um exame marcado para as 7h30 e fomos atendidos quase uma hora da tarde", disse.

A Rede Mário Gatti esclarece que a espera por consultas agendadas, citada pela paciente, não é comum no Hospital Mário Gatti. No entanto, o caso será apurado nesta sexta-feira, 21 de maio, e, se necessário, serão tomadas as devidas providências. Sobre a reclamação de sobrecarga citada, a Rede Mário Gatti informa que não procede a informação, pois a equipe conta com muitos profissionais.

Leitos

Nesta semana, o secretário de Saúde, Lair Zambon, confirmou a pressão que o sistema municipal vem sentindo com os casos não covid, e explicou que o momento é de organizar uma readequação, principalmente na questão de leitos.

O presidente da Rede Mário Gatti, Sérgio Bisogni, informou que está aguardando a evolução do controle da pandemia em Campinas para consolidar o projeto de readequação de leitos covid e não covid nos hospitais municipais e assim tentar aliviar a pressão no hospital Mário Gatti de pacientes não covid.

A intenção de readequação já havia sido confirmada pelo secretário de Saúde, Lair Zambon. "Estamos tentando reativar 14 leitos não covid no hospital Mário Gatti. Mas para isso estamos dependendo da evolução do controle da pandemia nas próximas semanas", disse Bisogni.

A Rede Mário Gatti informou que atualmente são mantidos dez leitos não covid e 55 exclusivos covid no hospital Ouro Verde. O Hospital Metropolitano, que está sob intervenção administrativa pela Prefeitura, e onde está concentrado o atendimento do Gripário Municipal, está com 12 leitos não covid e mais 18 leitos atendendo exclusivamente covid.

A Rede Mário Gatti informou que está em fase final de contratação de uma equipe de médicos, enfermeiros e fisioterapeutas, e preparação de toda infraestrutura, inclusive, de diálise para o hospital Metropolitano. "Acredito que daqui uns dez dias, se a pandemia permitir, podemos ampliar e ativar plenamente o hospital para atendimento covid, trabalhando em carga plena", disse Sérgio Bisogni.

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Rodrigo Piomonte/ Correio Popular