Publicado 20 de Maio de 2021 - 14h10

Por Gilson Rei/Correio Popular

Diretoria do COC apresentou ontem os resultados da campanha iniciada em novembro do ano passado

Diogo Zacarias/Correio Popular

Diretoria do COC apresentou ontem os resultados da campanha iniciada em novembro do ano passado

O estudo mais recente do Centro de Oncologia Campinas (COC) sobre casos de câncer de próstata foi apresentado ontem, demonstrando que 2,6% dos pacientes atendidos gratuitamente tiveram resultado positivo da doença e que todos preservaram suas vidas em tratamentos.

A partir da campanha “Sábado sem Câncer”, realizada em novembro do ano passado, a instituição atendeu gratuitamente 500 pacientes e verificou que 13 deles foram diagnosticados com câncer.

O médico Fernando Medina, um dos idealizadores da campanha, disse que o programa “Sábado sem Câncer”, criado há 20 anos pelo COC, tem como meta identificar e tratar o câncer de próstata dentro da Campanha Novembro Azul.

“Anualmente, é feito um rastreamento de um tipo de câncer. Depois dos exames, são realizados o diagnóstico e o tratamento dos casos que se apresentam”, afirmou.

A necessidade de conscientização foi lembrada por Medina. “Além dos tratamentos, há um trabalho de orientação e de conscientização que chega à população, alertando sobre a importância da prevenção e dos exames médicos para preservar vidas”, comentou.

“Por isso, a cultura da prevenção que o programa desencadeia é muito importante”, ressaltou.

Outro aspecto positivo da campanha foi a elaboração de um estudo. Segundo Medina, o “Sábado sem Câncer” também forneceu subsídios para a elaboração de um estudo capaz de traçar um perfil da saúde masculina durante a pandemia do coronavírus, momento em que a covid-19 consome a maior parte dos esforços da saúde mundial.

Medina disse que o caminho que envolve o diagnóstico e o tratamento seguiu por etapas que, dificilmente, seriam cumpridas em espaço de tempo tão curto e de maneira tão completa, ainda mais em tempos de pandemia.

A campanha possibilitou a economia de R$ 270.550 ao Sistema Único de Saúde (SUS). Esse foi o valor gasto para avaliar e examinar 500 pacientes inicialmente atendidos e tratar os 13 diagnosticados, segundo valores estabelecidos por convênios médicos.

O estudo e a campanha do COC contaram com a parceria da Ramos Medicina Diagnóstica, Próton Diagnósticos, Laboratório Multipat, Hospital Centro Médico Campinas e Santa Casa de Campinas.

“Entre 2000 e 2020, o COC avaliou 463 pacientes que passaram pelo nosso centro. Desse total, 90% deles tiveram sobrevida de cinco anos após o tratamento. Já a sobrevida de dez anos chegou a 87%. Ou seja, essas 13 pessoas que foram diagnosticadas na campanha têm quase 90% de chance de terem dez anos de vida saudável”, afirmou.

Perfil

O compilamento das informações obtidas no atendimento do “Sábado sem Câncer” reforçou o sucesso na missão de atender à parcela da população mais necessitada. Mostrou que 5,4% dos pacientes não possuíam nenhum grau de escolaridade e que apenas 17% tinham ensino superior completo ou incompleto.

Para traçar o perfil de risco de contrair o câncer de próstata, a raça dos pacientes atendidos foi especificada nas fichas de participação da campanha. Dos 500 pacientes, 25,4% eram negros, 67,2% brancos e 7,4% de outras raças. Durante a avaliação clínica, 27,8% disseram possuir histórico familiar para a doença.

“A raça negra tem um fator de risco para o câncer de próstata duas vezes e meia maior”, detalha Medina.

Com base na pontuação de indicativos atribuída aos pacientes após os exames clínicos, que inclui histórico familiar da doença, idade, raça e queixas urinárias, entre outros, 7% dos 500 homens examinados foram incluídos no grupo de risco mais alto para a doença.

Perto de 100 voluntários, entre profissionais da saúde (56), médicos (16) e pessoal de apoio trabalharam no “Sábado sem Câncer” para cumprir a meta de realizar 500 atendimentos.

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Gilson Rei/Correio Popular