Publicado 20 de Maio de 2021 - 13h59

Por Gilson Rei/Correio Popular

Moradora do São Marcos se apresenta à

Kamá Ribeiro/Correio Popular

Moradora do São Marcos se apresenta à "Força Tarefa Unicamp contra a covid" para participar da testagem em massa

Duzentas pessoas da comunidade do Jardim São Marcos, na região Norte de Campinas, participaram ontem de uma testagem em massa, promovida pela “Força-Tarefa Unicamp contra a Covid”, para identificar casos positivos da doença e barrar a cadeia de transmissão do vírus.

A taxa atual de contágio da covid-19 no Brasil está em 0,91, ou seja, para cada 100 pessoas infectadas, a doença é transmitida para outras 91 pessoas. A testagem em massa auxilia na contenção de contágios, na redução do número de internações em leitos nos hospitais e na diminuição de mortes.

Sávio Machado Cavalcante, professor de Sociologia da Unicamp e coordenador da frente de ações sociais da “Força-Tarefa Unicamp contra a Covid”, explicou que o grupo de profissionais da universidade tem realizado testagens em regiões de alta vulnerabilidade no Estado de São Paulo. “O trabalho é realizado desde o início da pandemia e já houve testes em comunidades indígenas no litoral paulista; em pessoas que residem em ocupações; em mulheres trans na Capital; em grupos de motoboys e de motofretistas, dentre outros”, comentou.

Cavalcante afirmou que, em Campinas, os testes já ocorreram na comunidade Vila Paula, bairro San Martin. Ontem, a ação chegou ao Jardim São Marcos. O coordenador explicou como surgiu o trabalho. “A Força- Tarefa foi criada no início da pandemia, quando identificou áreas de vulnerabilidade e de dificuldade de acesso, fazendo com que a Unicamp completasse os esforços do Sistema Único de Saúde (SUS)”, disse.

O professor destacou os motivos dessa ação. “Os idealizadores entendem que é fundamental e um direito levar informação às pessoas. Todos precisam saber se estão infectados e se estão tendo contato com cidadãos contaminados. É importante ter essa informação ampla e rápida para que as pessoas possam tomar precauções e evitar um contágio futuro”, disse “A estratégia é uma forma de busca ativa, pois a testagem ampla, com mais de 100 pessoas, vai identificar cerca de dez ou mais casos positivos e isso evita que haja multiplicação do vírus na comunidade”, explicou.

Sílvia Maria Santiago, médica sanitarista da Unicamp, disse que a Força-Tarefa é da maior importância porque, no Brasil, não houve testagem em massa como ocorreu nos países que mais controlaram a covid-19. “Os integrantes da Força-Tarefa da Unicamp têm essa preocupação. O HC da Unicamp é um local importante de internação de covid. Os profissionais atendem a casos graves, mas consideram necessário fazer também a outra parte, que é impedir o contágio das pessoas”, revelou.

A médica destacou ainda que a Força-Tarefa tem múltiplas funções e que uma delas é a questão da prevenção. “Não fazemos só a testagem. Damos orientação de como não se contaminar e, com isso, impedir que adoeçam, fiquem em estado grave. Assim, evitamos que mais pessoas sejam levadas a hospitais, onde disputariam leitos que já estão lotados. Se não tiver prevenção, não haverá leito para todos.”

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