ACIMA DE 500 MIL HABITANTES

Campinas é o 2º município com melhor ecossistema público e para investimentos da Região Sudeste

Objetivo é criar ações para melhorar a qualidade de vida da população

Edimarcio A. Monteiro/[email protected]
30/04/2026 às 10:44.
Atualizado em 30/04/2026 às 14:17
Meta é atender a população em todas as suas necessidades, com base em indicadores internacionais; pesquisa mostrou Campinas à frente de capitais das regiões Centro-Oeste, Nordeste, Sul e Sudeste (Alessandro Torres)

Meta é atender a população em todas as suas necessidades, com base em indicadores internacionais; pesquisa mostrou Campinas à frente de capitais das regiões Centro-Oeste, Nordeste, Sul e Sudeste (Alessandro Torres)

Campinas é o 2º município com melhor ecossistema público e para investimentos da Região Sudeste com mais de 500 mil habitantes e que não é capital, apontou o Ranking Connected Smart Cities 2025. O levantamento identifica as localidades como cidades inteligentes. A 11.ª edição da pesquisa, pela primeira vez, analisou os 5.575 municípios brasileiros em 13 eixos que abrangem 19 temas, com a novidade sendo a incorporação da inovação como elemento central para a transformação urbana. O levantamento avaliou ainda economia, governança, meio ambiente e mudanças climáticas, resíduos sólidos, educação, habitação e planejamento urbano, mobilidade, saúde, telecomunicações, energia e população e condições sociais.

Campinas obteve a nota 55,88, enquanto Sorocaba (SP), que ficou com a primeira posição entre os municípios de grande porte não capitais, obteve 55,90. O ranking das 10 melhores cidades do Sudeste é dominado por sete localidades paulistas, aparecendo ainda São Paulo, Barueri, Santos, Santana de Parnaíba e São Caetano do Sul. Os municípios de outros estados são Vitória (ES), Niterói (RJ) e Rio de Janeiro. O levantamento foi feito com base em dados de órgãos oficiais, como Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Controladoria-Geral da União (CGU) e Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Sincofi).

As cidades foram avaliadas com base em uma pontuação de até 100 pontos, com a avaliação sendo feita com base nas normas ISO/ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) voltadas para cidades inteligentes e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU). Na avaliação geral, Campinas ficou em 13º lugar no país e em 9º entre as cidades com mais de 500 mil habitantes.

O objetivo do levantamento é criar conexões com o propósito de implementar atividades orientadas a impactar positivamente os ecossistemas das cidades com ações para melhorar a qualidade de vida da população, de acordo com a Necta Inova, empresa responsável pela pesquisa, feita em parceria com a Spin – Soluções Públicas Inteligentes e Scipopulis. “O conceito evoluiu. Antes se falava em cidade tecnológica; hoje falamos em cidades que oferecem soluções para educação, saúde, mobilidade, governança e telecomunicações. O objetivo é atender à população em todas as suas necessidades, com base em indicadores internacionais”, explicou Willian Rigon, sócio da Plataforma Connected Smart Cities.

A FRENTE

Para a secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação, Adriana Flosi, “esse reconhecimento mostra que Campinas vem construindo, ao longo dos anos, um ambiente sólido e estruturado, com políticas públicas voltadas à inovação, à qualidade dos serviços e ao desenvolvimento econômico. Estar entre as cidades mais inteligentes do Sudeste, especialmente fora das capitais, evidencia a capacidade do município de crescer de forma organizada, conectando tecnologia, gestão eficiente e qualidade de vida para a população.”

Para ela, a posição de destaque está diretamente ligada à combinação entre infraestrutura, capital humano qualificado e um ecossistema de inovação consolidado. “Campinas reúne um conjunto de fatores que fazem a diferença: uma base econômica diversificada, universidades e centros de pesquisa de excelência, além de um ambiente favorável à inovação e ao empreendedorismo. Essa integração entre setor público, academia e iniciativa privada permite que a cidade avance em áreas estratégicas como mobilidade, tecnologia e desenvolvimento sustentável, criando um ambiente competitivo tanto para negócios quanto para a qualidade de vida da população”, afirmou.

A pesquisa mostrou Campinas à frente de capitais das regiões Centro-Oeste, Nordeste, Sul e Sudeste. Entre elas estão Brasília (DF), Goiânia (GO), Fortaleza (CE), Porto Alegre (RS) e Belo Horizonte (MG). A cidade superou também outros municípios presentes entre os 100 melhores do país, conhecidos pela economia forte e ambiente de inovação, como Londrina (PR), São José dos Pinhais (PR), Caxias do Sul (RS), Santo André (SP), São Caetano do Sul (SP) e São José dos Campos (SP).

De acordo com a Necta Inova, a proposta da identificação das cidades inteligentes é mostrar programas e projetos que deram certo, buscando diversidade, inovação e que podem ser replicados em outros municípios.

No ano passado, Campinas conseguiu zerar a fila de espera em creches, com o projeto Espaço do Amanhã. A prefeitura investiu R$ 144 milhões na construção de 16 creches em período integral, abrindo 5 mil novas vagas para crianças de 0 a 5 anos de idade. A cidade também teve pontuação alta em telecomunicações e segurança.

A primeira colocação geral ficou com Vitória, com a nota 61,27. A capital do Espírito Santo se destacou no estudo pela cobertura de internet 5G, acesso ampliado a celulares e digitalização de serviços públicos. Segundo a empresa, Região Sudeste, no desenvolvimento econômico, o Sudeste lidera em inovação, capital financeiro, infraestrutura logística e concentração industrial. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios metropolitanos, como mobilidade, desigualdade intraurbana, habitação e necessidade de transição para atividades de maior intensidade tecnológica e menos emissoras de carbono.  

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