As ginastas foram embaladas por ritmos bem brasileiros na apresentação das seis maças e dois arcos e ganharam apoio do público no Toronto Coliseum

Com nota final 30,233, equipe brasileira voltou a superar os Estados Unidos (Ricardo Bufolini/CBG)
De Toronto Um ano cheio de mudanças, perdas e dificuldades. Mas nada atrapalhou a harmonia do conjunto da ginástica rítmica do Brasil nos Jogos Pan-Americanos de Toronto. Neste sábado, as garotas garantiram a quinta medalha de ouro seguida na competição. Desde Winnipeg 99, o Brasil ocupa o alto do pódio na categoria conjunto de GR.Com a mescla de músicas brasileiras e uma apresentação impecável, que levantou as arquibancadas do Toronto Coliseum, as garotas garantiram 30,233 pontos e deixaram os Estados Unidos com a medalha de prata e Cuba com o bronze."Foi uma medalha conquistada com muita vontade, determinamos que voltaríamos do Pan com ela. Este último ano foi muito difícil com troca de ginastas, de técnica, a capitã lesionou dois antes da viagem, enfim focamos no que queríamos, tivemos muita determinação, pois foram treinos até nove da noite, sem almoço. Mas estamos dispostas ao sacrifício necessário para conquistar ainda mais medalhas para o Brasil", comentou Beatriz Romini, que assumiu a função de capitã do conjunto de GR com a lesão de Débora Falda. Além de Beatriz, Ana Paula Ribeiro, Morgana Gmach, Dayane Amaral, Emanuelle Lima e Jéssica Mayer (reserva) formam o conjunto de ouro. Apesar do Brasil já ter a vaga garantida na Olimpíada Rio 2016 por ser país sede, as meninas querem ratificar a vaga no Mundial de setembro que acontece em Stuttgart, na Alemanha. Elas precisam ficar entre os 14 melhores.Filhos e PanNos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg em 99 no Canadá, Camila Ferizin foi medalhista de ouro como ginasta e tinha um filho de apenas 6 meses, João Lucas.Mais uma vez, o Pan interrompeu a licença-maternidade da agora treinadora. Por conta de divergências sobre as convocações de atletas, a antiga técnica deixou o grupo um mês antes do Pan e Camila Ferizin, que teve Maria Clara há quatro meses, voltou integralmente para o ginásio."Após um mês da Maria Clara, estava indo uma hora pela manhã e mais uma a tarde, mas quando houve a necessidade assumi por completo o conjunto e passamos a treinar intensamente. Montei uma estrutura para a bebê em uma sala do ginásio, meu marido que realmente tirou a licença paternidade para cuidar dela e tudo deu certo. Valeu muito esta dedicação, me dividir entre a bebê e as meninas, nosso ouro está aí conquistado. E sem dúvida, minha maternidade está ligada aos Jogos Pan-Americanos", relatou Camila Ferizin, que em Santo Domingo 2003 foi campeã como assistente técnica. Maria Clara acompanhou no Toronto Coliseum a conquista da mãe.