Apesar do bom momento dentro de campo, o Guarani enfrenta dificuldades nos bastidores. Impactos na área financeira começam a afetar o pagamento dos atletas. O atraso é referente aos direitos de imagem do mês de abril que deveriam ser quitados em maio. O clube trabalha para levantar recursos e resolver o problema na próxima semana. O objetivo é evitar que a situação gere insatisfação no elenco e abale a campanha positiva da equipe que lidera a Série C.
O momento financeiro delicado do Guarani é resultado de um contexto que se desdobra em várias frentes. Além do baixo valor arrecadado com os direitos de transmissão da Série C e a disputa no tapetão pelo poder que afasta investidores, o clube teve de lidar nesta semana com um bloqueio de recursos por parte da Justiça.
Não é a primeira vez que o Guarani atrasa o vencimento dos jogadores na temporada. Em março, o pagamento do salário não aconteceu no dia devido. A alegação do clube na ocasião foi de que o planejamento financeiro tinha sido impactado pela eliminação do time na Copa do Brasil. Nos dias posteriores a situação foi regularizada.
NA JUSTIÇA
Uma decisão do juiz Felipe Guinsani, da 7ª Vara Cível de Campinas, publicada na última terça-feira, impediu a direção de utilizar valores próximos a R$ 1 milhão depositados em uma conta vinculada ao processo de Recuperação Judicial (RJ) do clube. A alegação é de que o Guarani está sem cumprir uma série de requisitos referentes à prestação de informações ligadas à área contábil e pagamento de dívidas trabalhistas. A liberação do recurso está condicionada à apresentação das documentações.
O caso coloca em risco até mesmo a continuidade dos atuais integrantes do Conselho de Administração à frente das decisões do clube. A destituição dos administradores de seus cargos é punição prevista no artigo 64 da Lei nº 11.101/2005. O Guarani se manifestou por parte de seu departamento jurídico e garante que resolverá o imbróglio nos próximos dias.
Outra questão judicial na qual o Guarani está envolvido se refere à briga pelo poder. Decisão da juíza Ana Lia Beall, da 11ª Vara Cível de Campinas, determinou a realização de novas eleições gerais no clube depois de apontar irregularidades no pleito realizado em dezembro do ano passado e que apontou vitória do atual presidente Rômulo Amaro, candidato da situação. A medida atendeu a um pedido de tutela de urgência feito por Felipe Ramos Roselli, que encabeçou a chapa de oposição “Meu Bugre Forte” e teve sua candidatura impugnada de forma polêmica.
O Guarani tentou manter o resultado, mas teve o recurso negado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Agora, aguarda os desdobramentos do processo para a realização de novas eleições em data a ser definida. O pleito deve acontecer entre junho e julho.
Mudança de horário
Após três dias de folga, o elenco se reapresentou na tarde da última quinta-feira e iniciou a preparação para o jogo contra o Caxias, no próximo sábado, no Brinco de Ouro. A pedido do Guarani, a partida passou das 16h para às 11h em razão da data marcar a estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, contra o Marrocos. O jogo do Brasil acontece às 19h no horário de Brasília. Depois de deixarem o campo com problemas musculares durante a goleada sobre o Amazonas no último domingo, o lateral esquerdo Emerson Barbosa e o zagueiro Maurício Antônio estão em avaliação pelo departamento médico. Ambos, no entanto, não devem ser desfalques no duelo válido pela 10ª rodada. O jogo é um confronto direto dentro do G8. Enquanto o Guarani lidera com 18 pontos, o Caxias ocupa a 5ª colocação, com 15.