Estudo aponta o 'pulmão' da RMC
Itatiba, Morungaba, Pedreira, Valinhos e Vinhedo são as cidades com maior cobertura verde da região

Publicado 16/08/2020 11:51:57 - Atualizado 16/08/2020 12:41:06

Daniel de Camargo

Cidade da RMC com o maior índice de cobertura florestal em seu território, Morungaba tem 3.526 hectares de vegetação nativa, o equivalente a 24,1% da área da cidade

O Inventário Florestal 2020 divulgado recentemente pela Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (SIMA) do Estado de São Paulo, que apresenta o retrato mais fiel da quantificação e distribuição da vegetação nativa no território paulista, apontou que Itatiba, Morungaba, Pedreira, Valinhos e Vinhedo são as cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) com os maiores índices de cobertura florestal.
Esses cinco municípios têm mais de 20% da sua superfície preenchida por vegetação nativa, condição que os enquadra na classe verde clara do estudo — segunda melhor classificação em um quadro que se utiliza de cores para ilustrar os mapeamentos. Nele, aparecem cidades em gradientes entre 20% e 50% do território coberto com vegetação nativa. O melhor quadro é o de Morungaba, que tem 3.526 hectares de cobertura nativa em vários estágios de recomposição, o equivalente a 24,1% da área da cidade (14.655 hectares). Cada hectare corresponde, aproximadamente, a um campo de futebol.
Maior município e sede da RMC, Campinas, que abriga entre outras áreas verdes a Mata de Santa Genebra localizada no Bosque de Barão Geraldo, com área pouco superior a 250 hectares, foi classificada na cor laranja — a segunda pior na classe da escala que assinala cidades com superfície entre 10% e 15% cobertas por vegetação nativa. Dos 79.490 hectares de Campinas, 11.435 tem território vegetal preservado, ou seja, 14,4%. Estão na mesma classe Americana, Artur Nogueira, Engenheiro Coelho, Indaiatuba, Monte Mor, Nova Odessa, Paulínia, Santa Bárbara D’Oeste e Santo Antônio de Posse.
Sinal vermelho
Os piores cenários foram constatados em Hortolândia e Sumaré, que têm menos de 10% de seus territórios com cobertura florestal. Dos 6.179 hectares de Hortolândia, apenas 277 apresentam vegetação nativa, ou seja, 4,5%. A Prefeitura de Hortolândia, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, informou, em nota, que realiza ações para preservar e ampliar a cobertura vegetal da cidade. “Desde 2017, foi realizado o plantio de 70 mil mudas de árvores. Até o final deste ano, a meta é plantar mais 30 mil unidades, chegando a 100 mil mudas de árvores no período de quatro anos. Além disso, a fiscalização ambiental monitora as Áreas de Preservação Permanente (APP) e a Arborização Urbana do município para evitar crimes ambientais, como queimadas, cortes sem autorização e podas irregulares”, diz trecho do texto. Além disso, informou que o Conselho Municipal de Meio Ambiente realiza medidas de regulamentação de normas específicas de arborização, contribuindo para o manejo adequado e formas de compensação.
Sumaré
Sumaré, por sua vez, tem 7,3% (1.113) dos 15.331 hectares do seu território cobertos por vegetação nativa. De acordo com o Executivo, desde 2017 o município recebeu cerca de 35 mil novas mudas de árvores nativas e frutíferas. “A Administração Municipal — por meio da Secretaria Municipal de Defesa, Proteção e Preservação do Meio Ambiente — tem trabalhado constantemente na recuperação e revitalização de áreas verdes, com ações de reflorestamento em áreas de preservação ambiental, no Horto Florestal e demais espaços públicos, e cumprimento a acordos de compensação ambiental”, informou, em nota.
"Nosso objetivo é ampliar os espaços verdes na cidade e, ao mesmo tempo, mobilizar a população para que incorpore à rotina diária as práticas de preservação e conscientização para a importância dos cuidados com o Meio Ambiente. Dessa forma, podemos efeti+vamente construir um futuro com mais qualidade de vida para todos os sumareenses e para as futuras gerações", destacou o prefeito Luiz Dalben (PPS).
SAIBA MAIS
O estudo aponta a percepção dos municípios que têm realidades muito diferentes em função dos biomas em que estão inseridos, a dinâmica de ocupação do solo pelas atividades econômicas ao longo das últimas décadas. Dos 645 municípios paulistas, 48 encontram-se em gradientes acima de 50% do território coberto com vegetação nativa, 151 na faixa entre 20% e 50%, 97 na faixa entre 15% a 20%, 216 na faixa entre 10% e 15% e 133 estão na faixa com menos de 10% de cobertura vegetal nativa. Há uma grande heterogeneidade na ocupação espacial do território paulista, o que exige políticas diferenciadas para cada região.
Vegetação nativa ocupa 22,9% do Estado
O Inventário Florestal 2020 apontou crescimento de 214 mil hectares de vegetação nativa no território paulista nos últimos dez anos. De acordo com estudo da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (SIMA), elaborado com participação de uma empresa especializada que atuou sob responsabilidade científica do Instituto Florestal (IF), o Estado de São Paulo possui atualmente 5.670.532 hectares de vegetação nativa em vários estágios de recomposição. A área equivale a 22,9% da sua superfície. A Pasta informou, em nota, que a análise foi viabilizada com recursos oriundos da Câmara de Compensação Ambiental e contou também com a colaboração de todos os órgãos do Sistema Ambiental Paulista.
No mapeamento realizado em 2010, foi registrado 17,5% do estado com vegetação nativa. O estudo atual utilizou satélites mais modernos com alta resolução espacial, que conseguem aferir detalhes da superfície terrestre e detectou 185 mil fragmentos a mais que o mapeamento anterior, por conta da precisão de detecção. As imagens orbitais foram verificadas no período de 2017 a 2019.
Pesquisador científico do IF e coordenador do inventário, Marco Aurélio Nalon explicou, no lançamento do documento, que o avanço tecnológico dificulta a comparação com períodos anteriores. Em contrapartida, frisou, retrata mais fielmente o cenário atual, conferindo mais assertividade na tomada de decisões.
Nesse contexto, o subsecretário de Meio Ambiente, Eduardo Trani, disse que o levantamento é imprescindível para guiar as políticas públicas de proteção e conservação da biodiversidade. Ao mesmo tempo, destacou, “orienta as ações do licenciamento, da fiscalização e do uso sustentável de nossos ativos naturais pelos proprietários rurais, gestores públicos e sociedade civil.”

Escrito por:

Daniel de Camargo

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