Quanto mais colorido, melhor!
Momento é de fortalecer o sistema imunológico por meio de uma alimentação balanceada e saudável

Publicado 09/05/2020 12:00:51 - Atualizado 09/05/2020 12:00:59

Daniela Nucci

Mila Cunha é chefe do serviço de endocrinologia do Hospital PUC-Campinas

O momento é de dar a maior atenção possível a uma alimentação balanceada e saudável como forma de fortalecer a imunidade e se defender de infecções como a do novo coronavírus. Com a imunidade baixa, as defesas do organismo ficam comprometidas e assim fica fácil a entrada de invasores. “Para fortalecer o sistema imunológico é importante ter hábitos saudáveis na vida. Isso inclui prática de atividade física de leve a moderada, preservar o sono e ter uma alimentação diversificada e colorida”, diz a chefe do serviço de endocrinologia do Hospital PUC-Campinas, Mila Cunha.
De acordo com ela, existem alguns alimentos que ajudam a fortalecer o sistema imunológico: os alimentos ricos em Ômega 3 protegem o organismo contra vários agentes infecciosos; os probióticos, como encontrados em iogurte natural, possuem uma ação no intestino e estimulam a imunidade com a presença da flora bacteriana intestinal, que faz uma competição com as bactérias, principalmente, as que podem causar doenças. “O selenium também é um mineral importante, encontrado principalmente na castanha do Brasil, e possui uma ação antioxidante que preserva os tecidos, com uma proteção contra as toxinas”, diz Mila.
“A vitamina C é outro destaque por ter ligação com a imunidade inata ou natural, sendo aquela que nasce com a gente. Já a vitamina A está relacionada com uma célula de defesa e que ativa os linfócitos, outro tipo de célula de defesa que está mais relacionada com infecções virais”, diz.
Segundo a endocrinologista, os alimentos com zinco, encontrados em diferentes tipos de carnes e grãos integrais, estão relacionados com o aumento das células do sistema imunológico. “Apesar da variedade, ainda não existe um alimento que nos proteja do novo coronavírus. Ainda não tem na literatura nenhum alimento que tem o maior impacto na prevenção da Covid-19”, diz Mila.
A professora de bioquímica da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Glaucia Maria Pastore, explica que é preciso investir em fontes de todos os nutrientes, porém destaca alguns que dão uma força especial. “Todo nosso arsenal de defesa depende de todos os recursos estarem disponíveis e uma boa alimentação faz isto”, comenta Glaucia, que fez uma lista com 10 alimentos importantes para ajudar nas defesas do organismo. Para os diabéticos, nenhum desses alimentos necessitam ser evitados, apenas os sucos de fruta, como laranja, deve ter um moderado consumo. “Para os diabéticos é mais importante consumir de preferência a fruta”, recomenda Glaucia.
10 alimentos importantes para ajudar o sistema imune
- Frutas cítricas: laranjas, limões e abacaxi: segundo a engenheira de alimentos, o teor de vitamina C é importante para a produção de células de defesa. “O limão ainda tem em sua casca um composto anti-inflamatório chamado limoneno. O chá de limão está em alta!”, diz Glaucia.
- Pimenta vermelha: possui alto teor de vitamina C, mas também de betacaroteno que desempenha o papel de proteção das mucosas
- Brócolis: superalimento com muitos minerais e vitaminas A, C E e muitos antioxidantes que combatem inflamação que é produzida num ataque viral. Glaucia indica cozinhar no vapor para preservar as propriedades
- Alho: grande aliado para combater infecções e regula a pressão arterial. Os compostos sulfurosos (o enxofre) presentes melhora a imunidade
- Gengibre: tem efeito anti-inflamatório para as vias aéreas superiores. De acordo com a profissional, inclusive é estudado como fator de redução do colesterol plasmático. Porém, algumas pessoas podem ser mais sensíveis e apresentar aumento da frequência cardíaca
- Espinafre: rico em Vitamina C, substâncias anti-oxidantes betacaroteno e pro vitamina A. “Se deve cozinhar pouco para preservar os nutrientes”, recomenda a engenheira de alimentos.
- Iogurte natural: rico em substâncias protetoras do organismo, se enriquecido com vitamina D é ainda melhor
- Amêndoas: ricas em vitamina E, necessária à resposta imune
- Kiwi: rico em vitaminas e substâncias antioxidantes, em especial o teor de vitamina C
- Frango: a carne de frango tem proteína de alta qualidade e vitamina B 6, essencial na produção de células vermelhas (sangue). “A canja de galinha é grande aliada da saúde e do sistema imune”, diz Glaucia.
Mudanças de hábitos e vida melhor
Há 30 anos, por conta da diabetes e colesterol alto de sua mãe Aparecida Rosa Rodrigues, de 94 anos, Ângela Maria Rodrigues, de 62 anos, que também mora com a irmã Maria das Graças Rodrigues, de 72 anos, precisou mudar a alimentação. “Comemos frutas todos os dias, pelo menos dois tipos. Suco, só natural de frutas com aveia, gengibre, salsinha e sementes . Variamos bastante”, diz Ângela.
Verduras são sagradas, diariamente, na mesa da família, com azeite e pouco sal. “Fazemos legumes de todos os tipos e o cozimento é tudo a vapor ou com pouca água. Comemos arroz integral e pouco pão”, lista Ângela. Há nove anos, as três se mudaram para uma casa e isso tudo ficou mais gostoso. “Temos árvores frutíferas ao gosto da mamãe. Caminho com elas, tomamos sol, fazemos tudo para uma boa imunidade. Agora com o coronavírus, tudo ficou mais intensificado. Faço meditação, um pouco de yoga, alongamentos, enfim fazemos tudo pra termos saúde na terceira idade”, comenta Ângela, ao lado da irmã e da mãe. Outro cuidado do trio hoje é evitar sair. “Temos nossos sobrinhos, Lucas e Amanda, que fazem nossas compras e entregam na garagem. Estamos em orações para as descobertas de medicamentos e vacinas para COVID-19 e outras doenças”, finaliza Ângela.
Boa alimentação e corrida
A advogada Thais Rodrigues, de 32 anos, sempre teve o hábito de consumir frutas, legumes e saladas, mas a alimentação ficou mais saudável desde quando iniciou a prática de corrida de rua, há quatro anos. “Ter uma alimentação mais balanceada foi algo que aconteceu naturalmente, pois percebi que ingerir comidas não saudáveis e bebidas alcoólicas, na véspera dos treinos, prejudicava o meu desempenho nas corridas”, diz Thais.
Em casa, ao lado do marido, ambos têm o hábito de cozinhar e consumir, diariamente, hortaliças, frutas, legumes e grãos, evitando processados e consumo excessivo de sal, açúcar e gordura. Os cuidados na infância também contribuíram para ela ter um organismo mais resistente. “Quando criança, minha mãe costumava priorizar o uso de chás a remédios em situações de indisposição e acredito que isso tenha sido positivo para o meu sistema imunológico”, recorda a advogada. Claro que há os momentos de comer besteiras, mas Thais costuma fazer isso nos dias em que têm longos treinos de corrida, quando ocorre elevado gasto calórico. “Acredito que essa rotina que adquiri, de alimentação saudável atrelada à prática de exercícios, tem me ajudado a manter o meu organismo mais saudável”, completa Thais.

Escrito por:

Daniela Nucci

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