Câmeras inteligentes podem ficar só no papel
Novidade foi anunciada no final do ano passado pela Prefeitura e testes já duram oito meses sem bons resultados

Publicado 23/08/2019 19:10:08 - Atualizado 25/08/2019 11:48:45

Henrique Hein

Incorporado à Cimcamp, o sistema inteligente seria usado para dar suporte à polícia, ao gerenciamento do trânsito e à atuação da Defesa Civil

As novas câmeras de reconhecimento facial de alta complexidade tecnológica — anunciadas no final do ano passado pela Prefeitura de Campinas e apresentadas à população como uma das soluções mais inovadoras para reduzir os índices de criminalidade do município — ainda não entraram em operação e correm o risco de sequer serem utilizadas um dia. A informação foi confirmada pelo secretário municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública, Luiz Augusto Baggio.
De acordo com ele, as câmeras — mesmo oito meses após o anúncio — seguem em processo de teste. Até o momento, a secretaria não conseguiu ajustar os aparelhos às condições do tempo, da geografia e das necessidades pretendidas pela Administração.
“Uma coisa é você fazer a identificação de uma pessoa parada na rua num dia lindo de sol. Outra coisa é fazer a identificação de um indivíduo andando de chapéu, capuz ou óculos no meio de uma multidão num dia de chuva. Por esse motivo, estamos fazendo testes e esperamos colocá-las em operação dentro de uns dois meses, ou então, descartá-las e assumir que não deu certo”, explicou.
A tecnologia, entre suas principais funções, permite o reconhecimento facial de indivíduos, veículos em atividades ilegais e aglomerações suspeitas de pessoas em milésimos de segundo. O sistema foi anunciado na cidade em maio de 2018, no Paço Municipal, pelo prefeito Jonas Donizette (PSB) e por representantes da Huawei — uma multinacional chinesa responsável pelo fornecimento do equipamento para o município.
Ao todo, cerca de 30 câmeras inteligentes foram doadas para a cidade pelos chineses para serem usadas em locais de grande circulação de pessoas como, por exemplo, a Rodoviária, o Terminal Central e as praças da Concórdia e do Largo Rosário.
Questionado sobre as perspectivas em relação à implantação da tecnologia, Baggio disse que ainda será preciso mais algum tempo para saber se elas conseguirão servir aos seus propósitos. “Se elas não funcionarem corretamente, não poderemos utilizá-las”, afirmou. Segundo ele, caso a tecnologia seja descartada pelo município, ela não será devolvida à empresa chinesa. “Ela continuará ajudando em outras ações como, por exemplo, nos trabalhos da Defesa Civil”.
Entretanto, se tudo der certo, o novo sistema será operado pela Central Integrada de Monitoramento de Campinas (Cimcamp), dentro do programa “Campinas Bem Segura”, que atualmente conta com aproximadamente 500 câmeras de segurança (não inteligentes). A intenção da secretaria é formar uma plataforma de integração inteligente entre as câmeras da Prefeitura, do Cimcamp e da iniciativa privada, localizadas em espaços como shoppings, postos de gasolina e bancos, por exemplo.
Além da segurança pública, o sistema de câmeras também seria usado para dar suporte ao gerenciamento do trânsito e a atuação da Defesa Civil. Esses aparelhos integrariam o videomonitoramento para alarmes em pontos de inundação, onde sensores informariam sobre os risco de alagamento, entre outros casos. O mecanismo ainda conseguiria medir umidade, vento e volume de chuva em tempo real.
 

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Henrique Hein

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