ESTRATÉGIA

Alunos compartilham conhecimento

Estudantes-monitores ajudam colegas a superar as dificuldades no aprendizado da matemática

Fabiano Ormaneze
fabiano.ormaneze@rac.com.br
18/06/2013 às 11:59.
Atualizado em 25/04/2022 às 18:28

Bastante comum nos cursos superiores e entendida por muitos como um primeiro passo para a carreira docente, a figura do aluno-monitor foi adotada pela professora Ana Augusta Lopes Siqueira Latino, no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Campinas, e tem tido como resultados alunos mais motivados a aprenderem matemática, mais solidários e com mais facilidade na disciplina temida pela maioria das salas.

O projeto sob a coordenação de Ana Augusta também surgiu com o objetivo de envolver, nas práticas dos alunos, ações que os levem a desenvolver atitudes cristãs, já que o colégio é católico. Assim, três vezes por semana, às segundas, quintas e sextas-feiras, estudantes com mais facilidade em matemática ficam na escola entre 11h45 e 12h30, logo após o horário normal das aulas, para auxiliar aqueles que têm mais dificuldade. Uma vez por semana, sempre às quartas-feiras, a professora se reúne com os alunos e passa um roteiro de atividades, listas de exercícios e orientações.

Esse é um trabalho paralelo, que visa oferecer mais uma forma de convívio e de aprendizado aos estudantes. O colégio conta também com os plantões de dúvida, em que o professor da disciplina fica disponível para consultas. “Embora o foco principal seja oferecer mais uma estratégia de aprendizagem, queremos também auxiliar a criar uma rotina de solidariedade e de colaboração, essenciais no mundo contemporâneo e para quem quer aprender algo”, explica Ana Augusta.

Colaboração

A atividade envolve, semanalmente, pelo menos 12 alunos que se transformaram em monitores e o atendimento é personalizado, ou seja, cada monitor orienta apenas um colega, de sua série ou, em alguns casos, de séries anteriores. Os estudantes envolvidos no projeto estão entre o 6 e o 9 ano. As aulas são abertas a todos os alunos que tenham dificuldade e a professora está sempre recrutando novos monitores, de acordo com os pedidos e necessidades. “Durante as minhas orientações aos monitores, eles também acabam aprendendo mais, pois sempre faço lembranças de conteúdos e vou dando dicas de como seria a forma mais adequada de transmitir o assunto”, conta a professora.

A cada semana, ocorre também um rodízio de monitores, de modo que cada aluno que precisa de ajuda recebe auxílio de colegas diferentes, entrando em contato com estilos distintos, o que, na avaliação da educadora, é outra estratégia positiva.

Exemplos

Jamilli Rosy de Araújo, de 14 anos, é aluna do 9 ano e se tornou monitora. “Eu tenho facilidade em matemática e não custa nada ajudar. O conhecimento deve ser partilhado, não pode ficar só conosco”, diz a garota. De acordo com ela, a revisão, principalmente, quando se trata de ajudar alguém de outra série, acaba sendo essencial para avançar. “Para muitos dos conteúdos que a gente está estudando agora, é preciso relembrar o que foi mostrado no passado. Por isso, eu também me sinto saindo à frente quando participo da monitoria”, diz.

Quem é ajudado, longe de se sentir intimidado, está feliz com os resultados. “Depois que eu comecei a frequentar a monitoria, já melhorei as minhas notas e nem preciso de professor particular”, conta Letícia Luísa dos Santos, de 12 anos, aluna do 7 ano.

Segundo Ana Augusta, o projeto conta com o apoio da família, seja permitindo que os alunos fiquem por 45 minutos a mais na escola ou então estimulando os filhos para que tirem suas dúvidas com os monitores. Além disso, os resultados positivos podem ser vistos no boletim, com a diminuição de notas abaixo da média.

“O trabalho também surte efeito em outras disciplinas, principalmente, por causa da interpretação de dados. Percebo que o resultado positivo se dá por duas razões: primeiro, porque os alunos têm a oportunidade de praticar mais; depois, porque eles aprendem com os colegas, o que gera mais entrosamento e até menos timidez para perguntar”, afirma.

Embora tenha surgido com foco na matemática, o projeto já criou uma verdadeira rede de estudos e facilmente se encontram alunos ajudando os colegas em outras disciplinas, como geografia.

Um dos fatores que ajudam, de acordo com Ana Augusta, é a proximidade da linguagem de quem ensina com a de quem aprende. “Existe todo cuidado e orientação para que os alunos possam ajudar os colegas também na compreensão de termos técnicos, da nomenclatura de matemática, mas eles entendem com facilidade, porque há uma proximidade muito grande entre os monitores e os demais alunos, pois eles são da mesma idade, falam a mesma língua, tem o mesmo vocabulário”, analisa a educadora.

Estímulos

Além disso, os monitores são valorizados pelos colegas, o que faz com que todos tenham um estímulo a mais para estudar.

O sucesso do projeto movimenta também docentes de outras áreas que já começam a estruturar a monitoria em suas disciplinas.

“Todos ganham. Os alunos monitores também ficam mais atentos às aulas curriculares, pois eles se sentem na obrigação de ter bons resultados e compreenderem o conteúdo a fundo, afinal, eles vão ensinar os colegas. É um regime de colaboração mútua.”

A aluna Lorena Blans Valentina, de 12 anos, também aprova a nova metodologia. “É muito bom, pois é uma forma de memorizar os conteúdos. A gente aprende com a professora e, depois, pode reforçar com os colegas. Acabo aprendendo muito mais”, diz. O monitor Thiago Arnada Chaim, de 14 anos, tem opinião semelhante: “Eu acabo aprendendo duas vezes mais. Ensinar faz a gente memorizar”.

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