Publicado 15 de Janeiro de 2022 - 13h39

Por Estadão Conteúdo

Os distúrbios no Casaquistão deixaram 164 mortos e cerca de 2.000 feridos, segundos dados divulgados pelas autoridades locais neste domingo, 9. Além disso, quase 6.000 pessoas já foram detidas por suposto vínculo com as revoltas sangrentas que abalaram durante toda a semana o maior país da Ásia central.

Os números, porém, não puderam ser confirmados por uma fonte independente, mas 103 das mortes teriam sido registradas em Almaty, capital econômica, segundo informaram vários jornais, citando o ministério da Saúde.

São números muito superiores aos que haviam sido informados pelo governo inicialmente. Não está claro se as mortes se referem apenas a civis ou se as mortes de policiais estão incluídas. Autoridades do país disseram que 16 policiais ou guardas nacionais foram mortos. As autoridades indicaram anteriormente que o número de civis mortos era de 26.

No total, cerca de 5.800 pessoas foram detidas, entre as quais há muitos estrangeiros, em 125 investigações diferentes, informou a presidência cazaque em um comunicado, sem fornecer mais detalhes. Não ficou claro quantos dos detidos permaneceram sob custódia no domingo.

Situação estabilizada

Funcionários do governo disseram que prédios e instituições governamentais em todas as regiões voltaram ao controle do Estado. Embora um apagão de internet em curso torne a situação no local difícil de ser verificada, funcionários do Ministério do Interior alegaram que o país havia se "estabilizado".

"A situação se estabilizou em todo o país, apesar de as forças de segurança continuarem realizando operações de limpeza", acrescentou, após uma reunião de crise convocada pelo presidente Kassym Jomart Tokayev.

O Casaquistão, um país com 19 milhões de habitantes, rico em hidrocarbonetos, foi abalado por distúrbios sem precedentes desde sua independência, em 1989, nos quais morreram dezenas de pessoas. O protesto começou no domingo passado nas províncias devido ao aumento dos preços do combustível e depois se espalhou para as grandes cidades, incluindo Almaty, onde houve distúrbios e a polícia disparou balas reais contra os manifestantes.

A estação de TV russa Mir-24 disse que tiros esporádicos foram ouvidos em Almaty no domingo, mas não estava claro se eram tiros de advertência da polícia. O aeroporto de Almaty, que havia sido tomado por manifestantes na semana passada, permaneceu fechado, mas deve retomar as operações na segunda-feira.

Sinal do tímido retorno à normalidade, 30 supermercados reabriram neste domingo, segundo os jornais, pairando sobre a população a preocupação de uma possível escassez. Durante esses dias, os carros faziam longas filas nos postos de gasolina. Em Almaty ainda restam cicatrizes dos dias de violência, com fachadas de prédios queimadas e carros carbonizados cobrindo as ruas.

De acordo com o ministério do Interior cazaque, citado neste domingo pela imprensa local, os danos materiais foram estimados em cerca de 175 milhões de euros (199 milhões de dólares). Mais de 100 empresas e bancos foram saqueados e cerca de 400 veículos destruídos, segundo a fonte oficial.

Além dos combustíveis

No sábado, 8, o ex-diretor dos serviços de Inteligência, Karim Massimov, foi preso por suspeitas de alta traição. Rejeitando qualquer diálogo com os manifestantes, Tokayev autorizou na sexta-feira, 7, as forças de segurança a "atirar para matar".

A pedido de Tokayev, a Organização do Tratado de Segurança Coletiva, uma aliança militar liderada pela Rússia com seis ex-estados soviéticos, autorizou o envio de cerca de 2.500 soldados, em sua maioria russos, ao Casaquistão como soldados da paz.

Parte da força está guardando instalações do governo na capital, Nur-Sultan, o que "tornou possível a liberação de parte das forças das agências de aplicação da lei do Casaquistão e realocá-las em Almaty para participar da operação antiterrorista", de acordo com um declaração do escritório de Tokayev.

Em um sinal de que as manifestações estavam mais profundamente enraizadas do que apenas o aumento do preço do combustível, muitos manifestantes gritaram "Fora homem velho", uma referência a Nursultan Nazarbayev, que foi presidente desde a independência do Casaquistão até renunciar em 2019 e ungir Tokayev como seu sucessor.

Nazarbayev manteve um poder substancial como chefe do Conselho de Segurança Nacional. Mas Tokayev o substituiu como chefe do conselho em meio aos distúrbios desta semana, possivelmente visando uma concessão para apaziguar os manifestantes. No entanto, o assessor de Nazarbayev, Aido Ukibay, disse no domingo que isso foi feito por iniciativa de Nazarbayev, de acordo com a agência de notícias do Casaquistão, KazTag.

(Com agências internacionais)

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