Publicado 15 de Janeiro de 2022 - 7h53

Por O Estado de S.Paulo

Por Redação

Pelo menos 19 pessoas, entre elas nove crianças, morreram depois que chamas atingiram um prédio residencial no Bronx, em Nova York neste domingo, 9. Outras 63 ficaram feridas e 13 estão internadas - cinco em estado grave e o restante por ter inalado muita fumaça. O incêndio é o mais letal registrado na cidade em 30 anos, de acordo com autoridades locais.

O incêndio começou pouco antes das 11 horas locais, em um apartamento duplex no segundo e terceiro andares do prédio, que fica na rua 181 Leste, segundo o Corpo de Bombeiros. Os agentes chegaram ao local três minutos após serem acionados e encontraram uma nuvem de fumaça que se estendeu por toda a altura do prédio de 19 andares, disse o comandante da corporação, Daniel Nigro.

A causa do incidente não havia sido esclarecida até ontem. Não se acredita que o incêndio tenha sido intencional, mas todas as hipóteses serão investigadas, disseram as autoridades. Segundo Nigro, a porta do apartamento onde o incêndio começou foi deixada aberta, o que ajudou a alimentar o fogo e permitiu a propagação da fumaça. O prédio tem 120 unidades e foi construído em 1972, de acordo com registros oficiais. As identidades das vítimas não foram divulgadas.

Desespero

Quem estava no prédio relatou momentos de desespero. Wesley Patterson estava no banheiro pouco antes das 11 horas quando sua namorada bateu na porta. Ela tinha olhado pela janela no terceiro andar e viu as chamas vindo de outra unidade. Demorou apenas alguns minutos para o apartamento ficar cheio de fumaça, disse Patterson, que mora no prédio há 20 anos.

"Estávamos apenas tentando respirar", disse Patterson, 28 anos. Ele correu com a namorada e o irmão dela, que mora com o casal, até a janela dos fundos. Patterson tentou abrir a janela, mas a fechadura estava tão quente que ele queimou as mãos. "Só pensava em meu filho e me perguntava se algum dia voltaria a vê-lo", disse. Por volta das 11h20, Patterson e sua família foram puxados pela janela pelos bombeiros.

Moradora do prédio, Vernessa Cunningham, de 60 anos, disse que saiu da igreja e foi correndo para casa depois de receber um alerta em seu celular de que o prédio estava pegando fogo. "Não conseguia acreditar no que estava vendo. Estava em choque", disse Vernessa, que estava alojada em escola próxima, para onde alguns moradores estavam sendo levados. "Podia ver meu apartamento. As janelas estavam todas quebradas. E eu pude ver as chamas vindo da parte de trás do edifício."

"Não há garantia de que haja um alarme de incêndio funcionando em todos os apartamentos ou em todas as áreas comuns", disse o deputado Ritchie Torres, um democrata que representa a área, à Associated Press. "A maioria desses prédios não tem sistema para combater as chamas. E assim as moradias do Bronx são muito mais suscetíveis a incêndios devastadores."

Happy Land

O número de mortos registrado ontem já é o maior em um incêndio na cidade desde a tragédia na boate Happy Land, também no Bronx. Em março de 1990, Julio Gonzalez foi até o local atrás de sua ex-namorada, que trabalhava na recepção. Bêbado, ele foi retirado, mas voltou à boate com gasolina e ateou fogo na única porta que dava acesso ao salão.

O incêndio mais letal da história da cidade foi em 1911, na fábrica da Triangle Shirtwaist Company, em Lower Manhattan, quando 146 pessoas morreram. Todos, exceto 23, eram mulheres jovens. O incêndio ajudou a desencadear demandas por melhores condições de segurança nas fábricas. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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