Publicado 14 de Janeiro de 2022 - 20h00

Por O Estado de S.Paulo

Por Redação

Ao menos 19 pessoas, incluindo nove crianças, morreram este domingo, 9, em um incêndio em um prédio residencial no Bronx, em Nova York, nos Estados Unidos. As autoridades descreveram este como um dos piores incêndios da cidade.

O incêndio começou pouco antes das 11h locais (13h de Brasília) em um apartamento duplex nos segundo e terceiro andares do prédio, segundo o Corpo de Bombeiros. De acordo com a imprensa local, mais de 60 pessoas ficaram feridas, incluindo 32 gravemente.

Os bombeiros chegaram em três minutos e encontraram uma fumaça que se estendia por toda a altura do prédio de 19 andares, disse o comissário de incêndio, Daniel A. Nigro. Ele acrescentou que "as condições de fumaça neste prédio eram sem precedentes" e que as vítimas sofreram forte inalação de fumaça.

Equipes que entraram no prédio encontraram vítimas em todos os andares e muitas tiveram parada cardiorespiratória, disse ele. Aproximadamente 200 bombeiros foram deslocados para a ocorrência.

"Os números são horríveis", disse o prefeito Eric Adams em uma entrevista coletiva na tarde deste domingo. "Este será um dos piores incêndios que testemunhamos nos tempos modernos".

A causa do incêndio não foi imediatamente esclarecida. O comissário Nigro disse que a porta do apartamento onde o incêndio começou foi deixada aberta, o que ajudou a alimentar o fogo e permitiu a propagação da fumaça. "Nós espalhamos a ordem: 'feche a porta, feche a porta,'" para conter o fogo, disse ele.

A moradora do prédio Cristal Diaz, 27, disse ao jornal "New York Post" que começou a colocar toalhas molhadas na parte inferior da porta após sentir o cheiro de fumaça enquanto bebia café em sua sala de estar. "Tudo estava uma loucura", disse ela. "Não sabíamos o que fazer. Olhamos pelas janelas e vimos todos os mortos que estavam levando com os cobertores."

O prédio de 120 apartamentos é um dos vários edifícios do complexo Twin Parks Northwest e foi construído em 1973 como parte de um projeto para criar moradias modernas e acessíveis em todo o Bronx.

"Muitos desses prédios são antigos. Nem todos os apartamentos possuem alarme de incêndio", disse o deputado americano Ritchie Torres, democrata que representa a área, ao canal MSNBC. "A maioria desses prédios não tem sistema de sprinklers. E, portanto, o risco de incêndio é muito maior em bairros de baixa renda, no Bronx, do que em qualquer outro lugar da cidade ou do país."

Nigro e Torres compararam a gravidade do ocorrido a um incêndio em 1990 no clube social Happy Land, onde 87 pessoas morreram quando um homem ateou fogo ao prédio depois de entrar em uma discussão com sua ex-namorada e ser expulso do clube do Bronx. O número de mortos deste domingo já é o maior em um incêndio na cidade desde o incêndio de Happy Land.

É também o incêndio mais mortal em um prédio residencial nos Estados Unidos desde 2017, quando 13 pessoas morreram em um edifício de apartamentos, também no Bronx, de acordo com dados da National Fire Protection Association.

O incêndio começou com um menino de 3 anos brincando com o fogão e levou a várias mudanças na lei na cidade de Nova York, incluindo ao fazer com que o corpo de bombeiros criasse um plano para educar crianças e pais sobre segurança contra incêndios, além de exigir a instalação de portas de fechamento automático em edifícios residenciais

O incêndio deste domingo aconteceu poucos dias depois que 12 pessoas, incluindo oito crianças, morreram em um incêndio em uma casa na Filadélfia. O incêndio mais mortal antes disso foi em 1989, quando chamas em um edifício no Tennessee tirou a vida de 16 pessoas. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

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