Publicado 14 de Janeiro de 2022 - 11h08

Por Marcio Dolzan

A lista com os 26 convocados por Tite para os dois próximos jogos da seleção brasileira nas Eliminatórias, divulgada na quinta-feira, reforça a ideia de que o treinador entra no ano da Copa do Mundo do Catar com seu grupo encaminhado. Ainda que o próprio técnico tenha dito que "um ano no futebol é muito tempo", em referência ao fato de que o Mundial só será disputado a partir de novembro, a repetição frequente de nomes demonstra que pelo menos 70% do elenco já está definido. Somente uma lesão de última hora ou uma queda muito grande de rendimento deverá mudar isso.

Para se ter uma ideia, entre os 26 da lista anunciada para os jogos diante de Equador e Paraguai - três a mais do que o habitual -, nada menos do que 16 integraram o grupo vice-campeão da Copa América, em meados do ano passado.

Em comum às duas listas estão o trio de goleiros Alisson, Ederson e Weverton; os laterais Emerson e Alex Sandro; os zagueiros Marquinhos, Thiago Silva e Éder Militão; os meio-campistas Casemiro, Fabinho, Fred, Lucas Paquetá e Everton Ribeiro; e os atacantes Gabriel Jesus, Gabriel Barbosa e Vinicius Júnior.

Há, contudo, nomes a se somar a eles. Ninguém duvida que a seleção de Tite é Neymar e mais dez, mas o jogador teve de ficar de fora da convocação para os dois próximos jogos por estar em reta final de tratamento de lesão. Além dele, a lista desta quinta mostrou que Daniel Alves ainda é a preferência de Tite para a lateral-direita - o jogador ficou de fora da Copa América porque foi liberado para disputar os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020. E há o caso de Renan Lodi: o lateral esteve na Copa América e, nas palavras de Tite, "ficou alijado de concorrer a uma vaga agora porque não está vacinado".

DÚVIDAS - Com os três goleiros definidos, o miolo de zaga formado e a primeira linha de meio de campo assegurada - além, é claro, de Neymar -, as poucas vagas estão nas laterais, na armação e no ataque.

O calcanhar de Aquiles de Tite está no setor de criação. Everton Ribeiro deu resposta na Copa América, voltou a ser chamado agora e só não esteve na última convocação do ano passado porque estava envolvido com compromissos pelo Flamengo. A questão é que o jogador tem histórico de oscilações - e, como diz o técnico da seleção, "um ano no futebol é muito tempo".

A busca por um armador de qualidade faz com que Tite volte a apostar no retorno - no sentido amplo da palavra - de Philippe Coutinho, seu maior destaque no período que antecedeu à Copa do Mundo da Rússia.

O jogador apresentou queda de rendimento no atual ciclo, ficou meses afastado por lesão, e apenas recentemente voltou a esboçar o futebol que o consagrou. Ainda assim, não conseguiu se firmar no Barcelona e agora vai tentar uma nova retomada pelo Aston Villa. Se der certo, tem grandes chances de ir ao Catar.

O ataque é outra incógnita: há muitos nomes à disposição, mas, há exceção do mesmo de sempre, quase nenhum artilheiro da própria seleção. Tite confia muito em Gabriel Jesus, chama com frequência Roberto Firmino e Richarlison, tem dado oportunidades a Gabriel Barbosa e Matheus Cunha, passou a chamar Antony e Raphinha, e há Vinicius Junior. Como se pode perceber, trata-se de um setor com profusão de nomes, mas ainda com indefinições.

Se um ano no futebol é muito tempo, Tite precisará aproveitá-lo ao máximo para dirimir as últimas - e poucas - dúvidas.

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Marcio Dolzan