Publicado 13 de Janeiro de 2022 - 19h17

Por O Estado de S.Paulo

Por Redação

Após três dias de debates tumultuados, alimentados por comentários polêmicos do presidente Emmanuel Macron, a Assembleia Nacional francesa aprovou um projeto de lei na manhã desta quinta-feira, 6, que deve transformar o passe de saúde do país em um "passaporte da vacina" mais rígido. O projeto integra um pacote de medidas do governo para combater o coronavírus e segue agora para avaliação do Senado.

A legislação foi aprovada por 214 membros da Casa enquanto 93 votaram contra. Houve 27 abstenções. A vitória ofereceu algum alívio ao presidente Macron após a enxurrada de críticas que recebeu ao fazer comentários ácidos aos não vacinados.

O partido governista Em Marcha havia defendido no início desta semana o uso, pelo presidente, de uma linguagem grosseira para intensificar sua campanha contra aqueles que não quiseram se vacinar contra a covid-19. As críticas e condenações a Macron partiram da esquerda e da direita e provocaram reações mistas dos eleitores.

Em uma entrevista ao jornal Le Parisien, Macron disse que queria "irritar" as pessoas não vacinadas, tornando suas vidas tão complicadas que acabariam tomando a vacina contra o coronavírus. Ele também chamou as pessoas não vacinadas de irresponsáveis e indignas de serem consideradas cidadãs.

A linguagem grosseira de Macron apenas três meses antes de uma eleição presidencial foi amplamente vista como um cálculo político, explorando uma crescente frustração pública contra os não vacinados.

Mais de 90% dos maiores de 12 anos receberam pelo menos duas doses, mostram os dados do governo. O ministro da Saúde, Olivier Veran, disse que um número recorde de pessoas desde 1º de outubro recebeu a primeira injeção na quarta-feira, após a publicação dos comentários de Macron.

Os legisladores da Câmara aprovaram o projeto de lei logo depois das 5 da manhã, após uma sessão que durou a noite toda. Muitos dos que votaram contra o projeto eram de extrema direita ou da esquerda radical. A legislação irá para o Senado antes de uma votação final na Assembleia Nacional.

As pessoas na França têm, há vários meses, de apresentar uma prova de vacinação ou um teste de covid-19 negativo para entrar em locais como cinemas e cafés e usar trens. Mas, com o aumento das infecções pelas variantes Delta e Ômicron, o governo decidiu retirar a opção de teste no novo projeto de lei.

As regras do passaporte da vacina se aplicarão a maiores de 16 anos e não aos de 12 anos, como o governo havia tentado inicialmente. Os países europeus têm lutado para saber se devem coagir os cidadãos a serem vacinados por meio de obrigatoriedade. Na quarta-feira, a Itália tornou a vacinação contra a covid-19 obrigatória para pessoas a partir dos 50 anos - professores e funcionários da saúde pública já são obrigados a tomar a vacina.

O primeiro-ministro francês, Jean Castex, disse que países que adotaram a vacinação obrigatória, como Itália e Áustria, têm taxas de imunização mais baixas do que a França. Castex também disse a França estava pronta para avançar para uma quarta dose quando for o momento certo.

Na quarta-feira, 5, a França registrou um recorde de mais de 332 mil novos casos de covide-19 em 24 horas e mais 246 mortes em hospitais, enquanto o país luta contra uma quinta onda do vírus. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

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