Publicado 12 de Janeiro de 2022 - 7h03

Por Beatriz Bulla

Por enviada especial

Uma semana depois de tornados deixarem mil famílias desabrigadas e 93 mortos, Mayfield, no Kentucky, era uma cidade com as copas das árvores arrancados, prédios e casas demolidos. Moradores e socorristas tentavam limpar os escombros e militares organizavam o trânsito.

Dia após dia, a face do desastre se tornou também uma referência de ajuda e solidariedade às vítimas das comunidades afetadas pela catástrofe, da qual ainda não houve plena recuperação. Neste fim de semana, tempestades voltaram a castigar o Estado e quatro novos tornados foram registrados, desta vez sem vítimas.

Após a tragédia de dezembro, voluntários de diferentes partes do país fincaram placas no chão para oferecer comida quente e grátis aos moradores, uma das maneiras de demonstrar apoio a quem perdeu tudo. As iniciativas espontâneas, como a de americanos que encheram o próprio carro de mantimentos para distribuir entre os atingidos pela tragédia, ainda divide espaço com as doações de empresas, chefs de cozinha famosos e governo.

VOLUNTÁRIOS

Beth e Charlie Nance não conheciam o Kentucky. Também não fazia parte dos planos do casal deixar as comemorações de 18 anos de casamento para cruzar dois Estados de carro. Mas, ao verem as notícias sobre Mayfield, encheram o carro de suprimentos e partiram.

Na cidade, um grande galpão que serve como espaço de eventos na cidade passou a ser usado como centro de distribuição. Quem chega, registra seu nome com um dos voluntários e pega uma caixa de papelão ou um grande balde de plástico, onde vai colocando tudo o que precisa.

Os itens são organizados por setores e dispostos em mesas, que formam corredores. É como se as famílias passassem por gôndolas de supermercado, onde podem pegar o que quiserem - de comida a lonas para cobrir o telhado, passando por lençóis, brinquedos, roupas e itens de higiene.

UNIÃO

Trey Davidson entregava quentinhas em sacola de papel para os carros que paravam perto de uma tenda improvisada, em uma espécie de drive-thru. Ele deixou os sete filhos em casa com a mulher e dirigiu oito horas de Kansas, Missouri, para Mayfield, com sua minivan dourada cheia de mantimentos. "Houve um tornado em 2011 no Missouri. E lembro que não havia Walmart, nem McDonald's, nada funcionando. Não sobrou nada. Por isso, eu senti que tinha de vir ao Kentucky."

Voluntários apareceram de Iowa, Nova York, Tennessee e, especialmente, de outras partes do Estado. "Nós, do Kentucky, temos uma má reputação por conta de vários motivos, mas acho que é um Estado cheio de pessoas realmente boas que se unem e se esforçam muito para ajudar umas às outras nessas situações", disse Maren McGimsew, que vive a três horas de Mayfield.

Procurando sua forma de ajudar, ela encontrou na internet inscrições para voluntariado no programa World Central Kitchen, capitaneado pelo chef espanhol José Andrés.

Dono de restaurantes disputados e premiados na capital dos Estados Unidos e em outras grandes cidades, Andrés ganhou fama por abrir a organização que leva um restaurante itinerante para o epicentro de desastres. O projeto foi criado pelo chef de cozinha, em 2010, para atender sobreviventes do terremoto que atingiu o Haiti. (COM AP)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Escrito por:

Beatriz Bulla enviada especial