Publicado 05 de Janeiro de 2022 - 8h14

Por O Estado de S.Paulo

Por Redação

Mais três países europeus anunciaram ontem medidas restritivas contra o avanço da variante Ômicron do novo coronavírus no continente. Enquanto Itália e Espanha voltaram a exigir o uso de máscaras em público, a Grécia baniu eventos até o dia 3. Paralelamente, os principais países da Europa aceleram a vacinação de crianças e a aplicação de doses de reforço para tentar conter o avanço da variante.

A Escócia anunciou ontem o fechamento de boates. Mas na Inglaterra, o governo do premiê Boris Johnson está adiando ao máximo as restrições mais severas, com base em dois estudos que mostram um risco menor de hospitalizações com a variante Ômicron em comparação com a Delta, dominante até havia pouco tempo.

A Espanha, com uma das taxas de vacinação mais altas da Europa (80% da população), registrou ontem um recorde diário de 72.912 contágios em 24 horas - mais da metade pela Ômicron. O avanço da variante fez com que as autoridades espanholas voltassem a exigir o uso de máscaras ao ar livre, com exceção na prática de esportes. Algumas regiões espanholas exigem certificado sanitário para permitir a entrada em certos locais públicos, enquanto outras, como Madri, se recusam a fazê-lo.

Na Catalunha, as autoridades reinstalaram o toque de recolher de 1 hora às 6 horas nas localidades onde a incidência passar de 250 casos para cada 100 mil habitantes em sete dias. Hoje, isso abarca boa parte dessa região no nordeste da Espanha, com 7,8 milhões de habitantes. A Catalunha tem 30% dos leitos de UTI ocupados por pacientes com covid-19, a taxa mais alta do país, o dobro da média nacional.

A Itália, que tem 85% de sua população vacinada, além de voltar a exigir máscaras ao ar livre, reduziu a validade do passaporte da vacina de nove para seis meses e, assim como a Grécia, também cancelou todas as festividades públicas de Natal e ano-novo. Segundo as autoridades sanitárias italianas, 28% dos casos no país já correspondem à nova cepa. Segundo números do Ministério de Saúde, a Itália registrou ontem 44 mil casos de coronavírus - na segunda-feira eram 16 mil. Esse aumento levou à adoção de restrições, como a proibição até o fim de janeiro de festas e eventos e o fechamento de discotecas.

Estudos recentes indicam que a Ômicron pode driblar a imunidade oferecida por infecções prévias e vacinas, apesar de oferecer um risco de hospitalização menor. Mas uma análise da agência britânica de segurança sanitária, publicado ontem, indica que os doentes infectados com esta variante têm entre 50% e 70% menos riscos de hospitalizações do que com a Delta.

A Alemanha confirmou ontem a primeira morte causada pela variante Ômicron, responsável por 25% mais casos do que no dia anterior. A vítima é um paciente com mais de 60 anos. Dos casos de covid-19 detectados no país até quarta-feira, 3.198 foram atribuídos à Ômicron, dos quais 48 exigiram hospitalização.

Recorde

O Reino Unido enfrenta o recorde de mais de 120 mil casos de covid por dia - um aumento de 50% nos últimos sete dias - e seu sistema de saúde está sobrecarregado pelo grande volume de pessoas infectadas. Pressionado por uma facção do seu próprio Partido Conservador para não tomar medidas mais severas, o premiê britânico deve esperar a passagem do Natal para decidir se adotará medidas mais restritivas. Neste país, onde a pandemia causou 147.720 mortes, o governo aposta em uma vasta campanha de vacinação com doses de reforço para voltar ao ritmo anterior à Ômicron.

Além das restrições, autoridades europeias trabalham também com a ampliação da vacinação para conter a Ômicron, tanto com a aplicação de doses de reforço como com a imunização de crianças de 5 a 11 anos. A vacinação de menores de 12 anos já começou na França, Alemanha, Grécia e Itália. Em alguns países, como a França e a Itália, as infecções em crianças e jovens de 20 a 30 anos chega ao dobro da população em geral. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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