Publicado 05 de Janeiro de 2022 - 7h09

Por Fábio Grellet

Os blocos de carnaval não vão desfilar pelas ruas do Rio neste ano, ainda em razão da pandemia de covid-19. A decisão foi tomada em consenso durante reunião ontem entre os representantes dos principais blocos, o prefeito Eduardo Paes (PSD) e o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz.

"A situação ainda não permite os desfiles. Então, está resolvido. Não podemos ir contra a ciência e colocar em risco a vida dos foliões", afirmou Rita Fernandes, presidente da Sebastiana, associação que representa 11 dos principais blocos da cidade. Segundo ela, todos os representantes de blocos que participaram da reunião com Paes e Soranz concordaram com a decisão. Uma alternativa será promover bailes ou eventos em lugares fechados, de modo a controlar o acesso do público. Mas por enquanto isso é apenas uma ideia.

Em live pela internet, Paes afirmou que "não será possível" promover o carnaval de 2022 nos moldes tradicionais: "Acabei de ter uma reunião com o pessoal dos blocos de rua. (...) Infelizmente, e eu falo como prefeito que gosta do carnaval e como cidadão, isso não será possível (os desfiles)". Mesmo antes da reunião, dois grandes blocos já haviam anunciado que não desfilariam: o bloco da Preta, da cantora Preta Gil, e a Banda de Ipanema.

PATROCÍNIO

Diante do surgimento da variante Ômicron do coronavírus e dos novos riscos da pandemia, a Ambev, que patrocinaria o carnaval de rua do Rio, tinha cobrado uma definição sobre a realização ou não dos desfiles até hoje, e essa foi uma das razões pelas quais Paes fez a reunião ontem.

Ele contou ter proposto à patrocinadora e aos blocos a realização de eventos, ao longo de fevereiro, em três lugares da cidade onde pudesse haver controle da entrada do público. Mas a ideia não foi bem recebida, porque os blocos têm ligação com as regiões em que desfilam e a princípio não lhes interessariam locais diferentes dos tradicionais. Essa negociação por eventos alternativos, porém, deve continuar nas próximas semanas.

SAPUCAÍ

O desfile das escolas de samba por enquanto está mantido, sob o argumento de que será possível controlar a entrada no sambódromo da Marquês de Sapucaí. A ideia da prefeitura e da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) é criar um aplicativo pelo qual todos que queiram entrar no sambódromo, para desfilar ou para assistir aos desfiles, teriam de comprovar estarem vacinados e não infectados pelo coronavírus. Esse app ainda não foi lançado.

Os ensaios técnicos, que são gratuitos e estavam previstos para ocorrer neste mês, foram adiados. Se realmente forem mantidos, só acontecerão em fevereiro.

OUTROS MUNICÍPIOS

As prefeituras de Niterói e de Maricá, dois municípios da região metropolitana do Rio, também anunciaram na tarde desta terça-feira o cancelamento do carnaval de rua, por causa da pandemia de covid-19.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Fábio Grellet