Publicado 04 de Janeiro de 2022 - 18h43

Por O Estado de S.Paulo

Por Redação

Os restos mortais de cerca de 30 pessoas, incluindo mulheres e crianças, foram encontrados em veículos carbonizados em Mianmar, segundo um oficial dissidente e uma ONG, que atribuiu as mortes à junta militar no poder.

"Quando fomos explorar a área, encontramos os cadáveres carbonizados em dois caminhões. Encontramos 27 cadáveres", disse à agência France Presse um responsável pelo movimento de oposição à junta, Forças de Defesa do Povo (PDF), sob condição de anonimato.

Outra testemunha relatou que "27 crânios" foram identificados, embora "houvesse outros cadáveres no caminhão tão queimados que não foi possível identificá-los".

De acordo com o observatório Myanmar Witness, 35 pessoas, incluindo mulheres e crianças, foram queimadas e mortas pelos militares em 24 de dezembro no cantão de Hpruso.

No sábado, a ONG Save the Children alertou que dois membros de sua equipe em Mianmar estavam desaparecidos depois que seu veículo foi atacado e incendiado na mesma área.

O porta-voz da junta, Zaw Min Tun, afirmou que os confrontos eclodiram na região na sexta-feira depois que o Exército tentou parar sete carros que circulavam de forma "suspeita" e, nesse contexto, várias pessoas foram abatidas, como afirmou.

Mianmar entrou em uma espiral de crise e violência desde que os militares liderados pelo general Min Aung Hlaing tomaram o poder em um golpe de Estado no dia 1º de fevereiro.

Além de protestos pacíficos e de um movimento de desobediência civil, milícias civis pegaram em armas ao lado de guerrilhas étnicas que confrontam o Exército há décadas.

Quase 11 meses após a revolta, a junta militar ainda não tem pleno controle sobre o país, apesar da violência brutal contra a dissidência que já deixou pelo menos 1.365 mortos, de acordo com uma organização de ativistas birmaneses.

Os militares birmaneses justificam o golpe com base em uma suposta fraude cometida nas eleições de novembro de 2020, vencidas pelo partido da líder civil deposta Aung San Suu Kyi e consideradas legítimas pelos observadores internacionais. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

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