Publicado 04 de Janeiro de 2022 - 16h49

Por Associated Press

O presidente russo, Vladimir Putin, disse neste domingo, 26, que vai ponderar uma série de ações caso o Ocidente não pressione por garantias de que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) deixará de atuar em apoio à Ucrânia. No início deste mês, Moscou apresentou esboços de documentos de segurança exigindo que a Otan negue adesão da Ucrânia e outros países da ex-União Soviética e recue em posições militares na Europa Central e Oriental.

Em comentários na TV estatal russa, Putin exortou o Ocidente a agir rapidamente, alertando que Moscou terá de tomar "medidas técnicas e militares adequadas" se o Ocidente continuar seu curso "agressivo" "no limiar de nossa casa". O presidente russo disse também que a resposta de Moscou "poderia ser diversa". "Dependerá de quais propostas nossos especialistas militares me enviarem".

Os Estados Unidos e seus aliados se recusaram a oferecer à Rússia o tipo de garantia sobre a Ucrânia que Putin deseja, citando o princípio da Otan de que a adesão está aberta a qualquer país qualificado. Concordaram, no entanto, em abrir negociações com o governo russo no próximo mês, a fim de discutir suas preocupações.

Putin disse que as negociações com os EUA serão realizadas em Genebra. Paralelamente, também estão previstas negociações entre a Rússia e a Otan e são esperadas discussões mais amplas no âmbito da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa.

Ainda neste domingo, Putin comentou que as demandas foram apresentadas com o objetivo de "chegar a um resultado diplomático, que seria fixado em documentos juridicamente vinculantes". Ele reafirmou que a adesão da Ucrânia à Otan ou a instalação de armas da organização em território ucraniano é uma linha vermelha que Moscou não permitirá que o Ocidente cruze. "Não temos para onde recuar", afirmou, acrescentando que a Otan poderia instalar mísseis na Ucrânia que levariam apenas quatro ou cinco minutos para chegar a Moscou. "Eles nos empurraram para uma linha que não podemos cruzar; chegaram ao ponto em que simplesmente devemos dizer: Pare!".

O presidente russo também manifestou preocupação com a possibilidade de os EUA e seus aliados tentarem arrastar as negociações de segurança e usá-las como um disfarce para perseguir um aumento militar próximo à Rússia.

A demanda russa ocorre em um momento de tensão com o Ocidente, após o aumento das tropas russas perto da Ucrânia nas últimas semanas, que alimentou o receio ocidental de uma possível invasão. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, alertou Putin em uma vídeo chamada no início do mês que a Rússia enfrentará "graves consequências" se atacar a Ucrânia.

A Rússia negou a intenção de promover uma invasão e acusou a Ucrânia de traçar planos para tentar retomar o controle de territórios ocupados por rebeldes apoiados por Moscou. A Ucrânia rejeitou a afirmação. A Rússia anexou a Península da Crimeia da Ucrânia em 2014 e pouco depois apoiou uma rebelião separatista no leste do país. Em sete anos, a luta matou mais de 14 mil pessoas e devastou o centro industrial da Ucrânia, conhecido como Donbass.

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