Publicado 04 de Janeiro de 2022 - 7h42

Por O Estado de S.Paulo

Por Redação

Com o avanço da variante Ômicron na Europa e nos Estados Unidos, o mundo passou na segunda-feira, 27, da marca de 1 milhão de casos diários de covid-19 pela primeira vez na pandemia e nesta terça, 28, os números voltaram a bater recordes em diversos países.

Segundo a plataforma Our World In Data, ligada à Universidade Oxford, foram registrados 1,4 milhão de casos da doença. Estados Unidos, França e Reino Unido são os países com maior número de contágios em 24 horas.

Na América do Sul, a situação tem se agravado na Argentina, que ontem superou a barreira de 33 mil casos - um número que não era visto desde antes do programa de vacinação da população. O número de mortes, no entanto, segue baixo. Ontem, foram registrados 20 óbitos no país vizinho.

A França registrou mais de 180 mil casos, um dia depois de ampliar as restrições para conter a Ômicron. Portugal, Itália e Espanha também voltaram a registrar índices muito altos de contágio.

Riscos

Apesar de indícios científicos indicarem um menor risco de hospitalização e morte pela nova variante, a Organização Mundial da Saúde alertou ontem que as internações podem sobrecarregar hospitais pelo mundo simplesmente pelo elevada quantidade de contágios, já que os números absolutos de internados tendem a crescer com os casos batendo recordes seguidos.

"Um rápido aumento da Ômicron, como o que observamos em vários países, embora combinado com uma doença ligeiramente menos grave, provocará um grande número de hospitalizações, especialmente entre os não vacinados", afirmou Catherine Smallwood, uma das autoridades da OMS na Europa.

Diante das incertezas sobre a nova variante detectada pela primeira vez no final de novembro na África do Sul, os países hesitam entre adotar fortes restrições ou uma estratégia mais flexível, em razão dos sinais de menor gravidade da Ômicron.

"É muito cedo para dizer se a onda da Ômicron será mais ou menos grave do que a da Delta", disse Smallwood. "Embora os dados preliminares nas populações mais afetadas da Europa (Inglaterra, Escócia, Dinamarca) mostrem que a Ômicron pode dar lugar a um menor risco de hospitalização em comparação com a Delta".

Alento

Apesar do receio da OMS, alguns especialistas acreditam que os sinais de que a Ômicron seja menos grave que outras variantes e o pico de contágios dure menos tempo trazem algum alento.

John Bell, professor de medicina da Universidade Oxford e conselheiro do governo britânico, acredita que a covid provocada pela Ômicron não é a mesma doença do início da pandemia. "As cenas horríveis que vimos há um ano, de UTIs cheias e muitas pessoas morrendo prematuramente, já não acontecerão mais, na minha opinião", disse ele à BBC.

O Reino Unido, por enquanto, decidiu que as evidências não justificam novas restrições. Embora os números mais recentes no país estejam incompletos por causa do feriado de Natal, os dados publicados na segunda-feira indicaram que mais de 300 mil novos casos foram registrados em três dias.

Para Chris Hopson, chefe do NHS Providers, a organização associativa da equipe de saúde da Inglaterra, embora as hospitalizações no Reino Unido tenham aumentado, muitas envolvem pacientes com outras doenças que descobriram estar com covid, muitas vezes de maneira assintomática.

"O que é muito interessante é quantos estão falando sobre o número de pacientes assintomáticos admitidos no hospital por outros motivos e depois com teste positivo para covid", disse ele sobre conversas com chefes de hospitais, em uma série de postagens no Twitter. "Alguns estão descrevendo isso como 'covid incidental'.

Em países onde o surto da Ômicron começou antes, o contágio tem dado sinais de desaceleração. Na África do Sul, as infecções na Província de Gauteng caem desde a semana passada e nos países escandinavos os números já começam a apontar uma tendência de queda. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS).

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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