Publicado 03 de Janeiro de 2022 - 17h11

Por Luiz Vassallo

Milton Lyra alega que a Justiça vai atestar sua inocência. Atualmente, alterna temporadas em hotéis de Brasília e seu apartamento no Jardim Europa, em São Paulo, avaliado em R$ 15 milhões. Embora aguarde a conclusão das investigações em liberdade, dizendo-se confiante numa solução favorável, reclama que as investigações afetaram o caixa de suas empresas.

Em 2018, após sua prisão, Lyra abriu uma empresa em Miami, a Fênix, que é sócia de uma empresa homônima no Brasil, em nome de sua mulher. Um funcionário de um escritório de contabilidade que trabalhou para Lyra, chamado Alis Silva Santos, disse ao Ministério Público Federal que a empresa era usada para esconder dinheiro desviado dos fundos de pensão. Ele relatou aos investigadores que a Fênix fazia empréstimos a empresas controladas por Lyra, mas em nome de terceiros.

O sócio formal dessas empresas (Finity Chain, que vende testes de covid, entre outras) é Elias Correia Nunes Neto, morador do Jardim São Luís, na periferia de São Paulo, e alvo de buscas e apreensão em 2020, sob suspeita de ser "laranja" de Lyra.

CONSULTORIA

Natural do Recife, Milton Lyra largou o curso de administração para abrir uma consultoria em informática nos anos 1990. De lá para cá, teve pelo menos 17 CNPJs associados ao seu nome, o que inclui uma famosa rede de pet shops. Mergulhou na política em 2002, quando topou coordenar a campanha de João Lyra (1931-2021) a deputado federal, pelo PTB de Alagoas. À época, Milton Lyra teve o primeiro contato com o senador Renan Calheiros.

A amizade entre Lyra e Renan se consolidou em 2007, quando o emedebista renunciou à presidência do Congresso. Em 2015, veio à tona a primeira investigação sobre o suposto envolvimento do empresário com desvios em fundos de pensão. A partir daí, Lyra viu seus negócios seriamente prejudicados. Em 2018, passou 32 dias preso, incluído na Operação Rizoma, que mirou desvios no Postalis, fundo de pensão dos Correios.

No dia em que foi detido, Lyra afirmou ter sido coagido a delatar pelo chefe da Lava Jato no Rio, Eduardo El Hage. "Sofri tortura psicológica. Fiquei um dia na Procuradoria sem meus advogados", disse. Ao Estadão, El Hage negou a pressão e afirmou se tratar de "mentira deslavada".

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Luiz Vassallo