Publicado 02 de Janeiro de 2022 - 17h11

Por Paulo Favero

A cidade de Holambra, no interior de São Paulo, ganhou a Rota das Flores, um percurso de 14 quilômetros em asfalto para promover a convivência harmoniosa entre ciclistas e motoristas. A ideia surgiu a partir de workshops com grupos de ciclistas, formados por atletas profissionais, equipes e assessorias esportivas, além de representantes dos setores público e privado. O projeto foi lançado pelo Grupo CCR e pelo governo do Estado de São Paulo.

"A intenção foi criar uma rota bem sinalizada para que exista uma convivência maior entre motorista e ciclista, o que ajudará a diminuir o número de acidentes", explica o ciclista Felipe Pipo Campagnolla, que participou das reuniões para a criação da Ciclo Rota. "Tem muita gente que tem medo de pegar a bike e vir pedalar em uma rota com circulação maior de carros e alta velocidade."

A estrada escolhida para servir de modelo experimental foi a rodovia municipal HBR-040. Por lá, obras garantiram melhorias no asfalto e mais sinalização. A expectativa agora é de que o trecho possa ser utilizado com mais frequência pelos ciclistas, seja para treinamento, deslocamento ou até passeio. "A cada seis meses, vai haver uma vistoria para manter uma qualidade mínima da rota", diz Pipo, como o ciclista é mais conhecido. "O mais importante de tudo, que é a ideia do projeto, é tentar criar consciência."

PAISAGEM. Morador de Jaguariúna, acerca de 17 quilômetros de Holambra, o farmacêutico Elvis Rocha de Jesus, de 32 anos, sempre que pode pega sua bicicleta evai pedalar na Rotadas Flores ."É um local agradável, com paisagem aberta e tranquilo em relação ao trânsito ", conta o ciclista ."Avista que temo sé muito legal eé bom sair da área urbana. Na primavera, tudo fica ainda mais agradável", diz.

A Rota das Flores tem pista simples e é a primeira estrada Bike Friendly nesse projeto da CCR. O trajeto conta com lombadas para desaceleração dos veículos e muitas placas de sinalização para motoristas e ciclistas. No caminho, há vários sítios de produtores de flores, com estufas para plantas ornamentais. O fato de haver poucos veículos circulando é outro ponto positivo. Na opinião de Pipo, a única questão crítica da rota é a falta de sombra.

TURISMO LOCAL. Para Pipo, o potencial da Rota das Flores é muito grande. "É curta, com várias propriedades no trajeto. É possível fazer um roteiro conciliando pedalar e fazer turismo pelas fazendas, conhecendo a cultura da cidade."

Ele recomenda que se tire o dia para passear na região. "Venham para curtir o pedal, mas aproveitem para conhecer a cidade, que conta com boa estrutura e é tranquila", afirma Pipo. "A dificuldade técnica não é grande. Mas é preciso trazer a bicicleta, pois ainda não há estrutura para alugar o equipamento."

EXPANSÃO. Por causa do crescimento da prática do ciclismo em estradas com grande volume de tráfego, o que por si só já é um grande risco, a concessionária CCR idealizou rotas alternativas. A experiência de Holambra é a primeira, e outras já estão saindo do papel, como a Rota das Frutas, que atravessa municípios como Jundiaí, Louveira, Vinhedo e Itatiba. O lançamento do novo trecho está previsto agora para janeiro.

Segundo a concessionária, serão cinco Ciclo Rotas no total, com mais de 300 quilômetros de vias. O investimento de R$ 5 milhões inclui reforma ou adaptação da infraestrutura das pistas, serviços de recapeamento, conservação, instalação de placas e melhorias na engenharia de tráfego, pensados para acolher os ciclistas e demais visitantes.

Foram escolhidos trechos próximos da capital, com infraestrutura e potencial turístico. O objetivo, segundo a CCR, é despertar o interesse dos ciclistas e gerar renda pelo fomento do turismo local a partir do cicloturismo.

Na primavera, campos ao longo da rota ficam cobertos de flores

A paisagem na região de Holambra muda de acordo com as estações do ano. Ou seja, vale lembrar que nem sempre o trecho da ciclorrota estará repleto de flores. Se você quiser ver a região toda colorida, a melhor época para a visitação é entre setembro e outubro, por causa do início da primavera.

"É um trajeto bonito, mas a gente não vai ver flores o ano todo, porque tem muita coisa em estufa. Mas é uma área rural, com poucas casas, muito verde e vegetação baixa, o que possibilita ver o horizonte", explica o ciclista Felipe Pipo Campagnolla. "Mas há momentos do ano em que você vai passar por campos cobertos de flores. Aí, parece que você está pedalando em outro lugar."

A primavera é também a época do ano em que se realiza a tradicional Expoflora, a maior exposição de flores e plantas ornamentais da América Latina. A feira reúne milhares de visitantes e pode ajudar a fomentar ainda mais o turismo de bicicleta na região, embora a cidade já receba muitos visitantes para o evento.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Escrito por:

Paulo Favero