Publicado 02 de Janeiro de 2022 - 17h11

Por Paulo Favero

Pensador da era digital, o alemão Gerd Leonhard virá ao Brasil para o 2.º Congresso Olímpico, em 19 e 20 de março, em Salvador. O futurista tem mais de 25 anos de experiência na indústria de tecnologia e entretenimento, é autor de best sellers e já deu mais de 1.600 conferências ao redor do mundo, sempre falando sobre tecnologia, ciências e humanidades. Ao Estadão, ele faz um alerta: "Os próximos dez anos trarão mais mudanças do que os 100 anos anteriores."

Como você avalia o impacto da pandemia de covid-19 no mundo?

Basicamente, é como um botão de resetar. Tudo que a gente considerava normal mudou. E isso não vai embora e vai se tornar o "novo normal". Tem sido um teste duro para todos. Para os governos, para a cooperação. Mas também nos mostrou coisas interessantes. Vimos que é possível colaborar, como no caso das vacinas, mas para distribuir os imunizantes nós não cooperamos bem.

Foi possível aprender algumas lições?

A covid-19 é um teste inicial para as mudanças climáticas. Tudo que estamos fazendo para lidar com a covid-19, como dinheiro extra, mais esforços, para além dos governos, estamos aprendendo que precisamos fazer isso também para lidar com as mudanças climáticas. Temos diferentes legislações, precisamos cooperar, é uma lição dolorosa que tivemos. Acho que de muitas maneiras a covid-19 para as pessoas jovens é como a 2ª Guerra Mundial para os meus pais. É como uma parada, o início de um grande período de mudanças. Por isso, digo que os próximos dez anos trarão mais mudanças do que os 100 anos anteriores.

A pandemia também reforçou disputa entre fake news e informação confiável. Acredita que esse conflito ainda vai durar por muito tempo?

Acho que essa é uma outra coisa boa que veio da pandemia de covid-19. Nós percebemos que realmente precisamos ter bons meios de comunicação para informar as pessoas. Não pode ser apenas uma máquina como Facebook e seus algoritmos.

Como será o mundo em 2050?

Com certeza teremos resolvido a maioria dos problemas urgentes, como doenças tipo o câncer, a questão da água e da energia. Teremos energia ilimitada e de graça e comida em abundância. Espero que nesse período tenhamos um tipo de governo global que lide com os problemas mundiais, um conselho de sábios.

E no caso do Brasil?

A situação é mais difícil, porque é um país em desenvolvimento, com 30 milhões de pessoas na pobreza. A única solução é os países ricos darem suporte aos pobres. Isso já aconteceu com a vacina, a próxima será com a tecnologia para lidar com mudanças climáticas.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Escrito por:

Paulo Favero