Publicado 02 de Janeiro de 2022 - 17h01

Por Pedro Venceslau

Após anunciar apoio à candidatura do vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB) em São Paulo, o União Brasil - que é resultado da fusão do DEM com o PSL - já enfrenta uma disputa interna pela indicação da vaga de vice na chapa do tucano. O vice-presidente nacional do partido, Antonio Rueda, convidou o prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando, que é do PSDB, para se filiar ao União e ser o candidato a vice na "cota" da legenda.

"Fiz o convite ao Orlando, que é o prefeito de uma das maiores cidades do Estado. Ele é um nome para compor a chapa majoritária com Rodrigo", disse Rueda ao Estadão. Esse movimento foi feito com o aval da cúpula do PSDB paulista. Marco Vinholi, presidente do diretório estadual tucano, e Cauê Macris, chefe da Casa Civil do governo do Estado, apoiam Morando e endossaram a articulação.

"Sou um agente político. Os desafios sempre me estimulam", disse o prefeito de São Bernardo ao ser perguntado sobre a possibilidade de deixar o PSDB, migrar para o União Brasil e ser vice de Garcia.

A movimentação precoce, porém, gerou reações entre aliados. Segundo a Coluna do Estadão, surgiu no próprio PSDB uma lista de nomes do MDB que estariam cotados para a vaga de vice de Garcia. Segundo pessoas ligadas ao vicegovernador, esse foi um gesto feito ao partido presidido pelo deputado Baleia Rossi (SP), que deve anunciar em janeiro o apoio ao tucano.

'Barriga de aluguel'

"Essa não é uma decisão unilateral. Tenho um compromisso com o MDB de não aceitar que o vice seja alguém oriundo do PSDB. Seria uma promiscuidade um partido (o União Brasil) que nasce agora vender a vaga de vice e servir de barriga de aluguel", disse o deputado federal Junior Bozzella, do União Brasil, que também é cotado para a vaga de vice.

Além do União Brasil e do MDB, Garcia deve anunciar no início de 2022 o apoio do Cidadania e tem bom trânsito no Progressistas, no Republicanos, no Solidariedade e até no Podemos. Nas conversas com os partidos, o vice-governador foi beneficiado pelo movimento feito pelo ex-governador Geraldo Alckmin em São Paulo, que se desfiliou do PSDB na semana passada. Cotado para ser vice do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial, Alckmin e aliados deixaram a disputa paulista em segundo plano.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Pedro Venceslau