Publicado 02 de Janeiro de 2022 - 12h47

Por Estadão Conteúdo

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, participou ontem (24) de uma videochamada com membros do Congresso e senadores dos Estados Unidos sobre o aumento de tropas russas perto da Ucrânia, que alimenta temores de uma possível invasão, de acordo com informações do gabinete de Zelenskyy. A situação no leste do país, onde rebeldes apoiados pela Rússia lutam contra as forças ucranianas desde 2014, foi o assunto da conversa.

Em declaração, o gabinete do presidente descreveu "a importância de ter os EUA envolvidos no processo de um acordo pacífico" para resolver o conflito no leste, em uma área conhecida como Donbass. "Agora, mais do que nunca, não são as palavras que importam, mas as ações", diz. "Meu objetivo é parar o derramamento de sangue. É impossível imaginar segurança na Europa sem acabar com a guerra no Donbass", diz trecho de uma declaração atribuída à Zelenskyy.

Zelenskyy e os legisladores dos EUA também conversaram sobre a aplicação de novas sanções sobre a Rússia, o apoio de Washington ao "euro-atlântica de Kiev" e as perspectivas da Ucrânia em aderir à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) .

Rússia e Ucrânia estão em um amargo cabo de guerra desde que Moscou anexou a Península da Crimeia da Ucrânia em 2014 e deu o seu apoio à insurgência separatista que já deixou mais de 14 mil mortos. Um acordo de paz de 2015, intermediado pela França e Alemanha, encerrou em grande escala hostilidades no Donbass, mas esforços para chegar a um acordo político do conflito falharam até agora.

As tensões entre os países reacenderam-se com a implantação de tropas perto da fronteira da Ucrânia. Autoridades na Ucrânia e no Ocidente temem que o movimento indique planos para uma invasão, mas o Kremlin nega essa intenção. Em vez disso, Moscou acusa Kiev de aumentar as tropas no leste, dizendo que os militares ucranianos podem estar planejando recuperar as áreas controladas pelos rebeldes à força.

O presidente russo, Vladimir Putin, também pressionou os EUA por garantias de segurança para frear a expansão da Otan para o leste da Europa. Em contrapartida, a aliança ocidental e a Ucrânia se irritaram com a demanda. Durante sua ligação com os legisladores e senadores norte-americanos, Zelenskyy disse "que um terceiro país não pode ter uma palavra a dizer sobre a integração da Ucrânia na OTAN. Nenhum acordo sobre a Ucrânia sem a Ucrânia pode ser feito", disse.

(Com Associated Press)

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