Publicado 01 de Janeiro de 2022 - 7h42

Por enviada especial

Por Thaís Ferraz

O presidente eleito do Chile, Gabriel Boric, deu início a uma transição pacífica de poder após sua vitória no segundo turno das eleições do fim de semana. Logo após a oficialização do resultado, ele manteve reuniões com o candidato derrotado, o direitista José Antonio Kast, que foi cumprimentá-lo em seu QG de campanha, ainda na noite de domingo, 19, e com o presidente, Sebastián Piñera, na tarde desta segunda-feira, 20.

Kast, que disputou a eleição presidencial com uma agenda de direita, já havia telefonado para Boric e reconhecido a derrota. No entanto, menos de duas horas depois da conversa, ele resolveu passar no Hotel Fundador, sede da campanha do rival, e ter um diálogo pessoal com o presidente eleito.

A conversa durou cerca de 10 minutos e teve um tom "cordial", segundo descrição dos jornais chilenos. Boric retribuiu a gentileza, prometendo ouvir todos os eleitores, incluindo os de Kast - um defensor do ex-ditador Augusto Pinochet.

No encontro com Piñera, uma reunião já tradicional do cronograma de transição presidencial no Chile, Boric foi recepcionado para um tour pelo Palácio La Moneda, sede do Executivo chileno, e recebeu do atual presidente um broche com a bandeira do Chile.

Gabinete

A partir de hoje, as atenções de Boric se voltam para o novo gabinete, que deve indicar o nível de moderação de seu governo. Embora o novo presidente do Chile não tenha dado pistas, as apostas se concentram em três figuras de sua coalizão: Giorgio Jackson, coordenador político, Izkia Siches, chefe de campanha, e a deputada Camila Vallejo, do Partido Comunista, que fez o papel de porta-voz do candidato.

Boric prometeu que seu governo seria diverso. "Ele será liderado por equipes de diferentes gerações, origens e experiências, sempre convocando as pessoas mais qualificadas, independentemente da idade ou partido", disse o presidente eleito em carta ao jornal El Mercurio.

Um dos desafios do presidente será equilibrar os impulsos esquerdistas da aliança que o levou a vitória e sua guinada ao centro, bastante perceptível nas últimas semanas. Segundo a analista Carmen Le Foulon, do Centro de Estudos Públicos, um cargo central será o de Ministro da Economia.

"Os assessores econômicos que trabalharam na campanha de Boric são de posições bastante sóbrias, até próximas do antigo governo. Espera-se que ele incorpore algum deles", disse. "Após o segundo turno, ele tem a necessidade de apresentar um gabinete moderado."

Desafios

Boric não tem um caminho fácil pela frente. Além de herdar um país que luta contra a inflação e o combate à pandemia, ele ainda será um presidente de transição entre duas constituições, a de 1980, da ditadura de Pinochet, e a que está sendo redigida.

Seu maior desafio deve ser a governabilidade, afirma a cientista política Federica Sanchez, da Universidade Alberto Hurtado. O novo presidente não terá maioria simples na Câmara dos Deputados. "No presidencialismo chileno, o Legislativo tem muito poder, e Boric não poderá governar sem ele." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Escrito por:

enviada especial Thaís Ferraz