Publicado 22 de Dezembro de 2021 - 8h05

Por Pedro Ramos

Hoje em dia, as apostas esportivas permitem que uma pessoa no Brasil deposite dinheiro em uma competição de dardos na Inglaterra ou até na liga de juniores de futebol da Nicarágua. Entre os brasileiros, a prática se tornou cada vez mais popular e o mercado está em crescimento. Empresas de apostas patrocinam 19 dos 20 clubes que disputaram o último Campeonato Brasileiro, anunciam nos principais canais de TV do País e adquiriram recentemente a compra de blogs e sites esportivos. Mas como funcionam as apostas esportivas no Brasil?

Para quem é iniciante, é importante estudar o tema antes de decidir apostar seu rico dinheirinho. As possibilidades são múltiplas e a área envolve muitos aspectos a serem assimilados. Os termos em inglês, como bets, odds, tipster, são palavras comuns no mundo das apostas. O Estadão ouviu especialistas e pessoas do meio para tentar tirar as principais dúvidas dos apostadores iniciantes. Primeiramente é importante saber que se trata de uma atividade legal desde que o site na qual se aposta esteja hospedado fora do Brasil. É como viajar para o exterior e jogar lá fora. Mas a ação será considerada ilegal se o site estiver localizado em território nacional. O Brasil não regulamentou esse tipo de jogatina.

COMO COMEÇAR A APOSTAR - É fundamental para todo apostador definir bem uma estratégia e avaliar os riscos e recompensas. Vários apostadores brasileiros acompanham informações e estatísticas diariamente sobre os jogadores e times envolvidos, ficam de olho em possíveis desfalques e estão atentos a mudanças desses panoramas.

Nas apostas de jogos de futebol, por exemplo, é possível palpitar não somente nos resultados das partidas, mas também na quantidade de gols de um jogo, se os dois times vão marcar, no número de escanteios e cartões, e até qual jogador será o primeiro ou último a balançar a rede. Tudo é "apostável".

Quando estiver pronto para começar a apostar, é preciso fazer um cadastro no site escolhido. É preciso ser maior de 18 anos, por exemplo. Os apostadores mais experientes recomendam que se avaliem quanto cada casa de aposta paga por um jogo específico para, então, fazerem seus palpites. Em seguida, é preciso criar uma conta pessoal, colocar informações bancárias/de pagamento e, então, depositar um saldo inicial.

É possível ainda fazer o depósito através de Pix, boleto bancário, transferência, cartão de crédito e débito, criptomoeda, além de outras opções, a depender da empresa. Escolhido o esporte, a liga e a partida, é só avaliar as odds (cotações) e fazer a aposta.

Os valores mínimos para a aposta variam a depender da empresa escolhida. Em algumas casas, é possível depositar pelo menos R$ 10 para poder participar. Elas oferecem diferentes benefícios para atrair mais clientes. Alguns dos mais comuns são o "bônus de boas-vindas", que dobra o valor inicial depositado quando você se cadastra, e as apostas grátis. Mas para evitar que as pessoas se cadastrem só para ficar com o valor do bônus sem apostas, as casas contam com o "rollover". Ou seja, uma lista de requisitos que o apostador deve cumprir para garantir a bonificação.

O QUE É PUNTING E TRADING - Existem dois modelos diferentes para apostar. No punting, o apostador faz o seu palpite e aguarda o fim da partida para saber o resultado. Já no trading, mais complexo, você atua como um investidor da bolsa, comprando e vendendo dentro de um jogo. Ou seja, está interessado nas variações das odds (cotações) durante o evento.

Quando um apostador acerta o seu palpite, o valor ganho vai para a sua banca. O dinheiro não cai automaticamente na sua conta bancária cadastrada no site. É preciso informar o valor que quer retirar. A maioria dos saques é feito por transferência bancária. Logo, é preciso informar suas informações do banco. Existe uma quantidade mínima para saque, mas varia a depender da casa de aposta e o valor cai na conta de um a dois dias. O melhor momento para sacar o dinheiro depende do perfil do apostador.

TIPOS DE APOSTADORES - Há opções de empresas que são mais adequadas para níveis diferentes de apostadores, dos iniciantes, com valores mais baixos, aos profissionais, com quantias maiores. Muitos apostadores encontram dicas e manuais sobre como melhorar nas apostas, minimizando erros e maximizando a possibilidade de ganhos, acompanhando influenciadores digitais do ramo em suas redes sociais. Grupos no Telegram chegam a reunir milhares de interessados.

O apostador Jonas Caetano é um dos nomes conhecidos no ramo e integra a equipe do Clube da Aposta, projeto criado em 2010 que é especialista na produção de conteúdo sobre o tema. Com site e redes sociais, a equipe dá dicas, tira dúvidas e explica detalhes do mundo das apostas, além de oferecer cursos grátis e pagos para quem está a fim de mergulhar no assunto.

"No fim de 2016, nas férias da faculdade, eu estava vendo vídeos de investimentos e achei um sobre trading esportivo. Comecei a assistir e passei a apostar. Me encontrei nessas áreas. Comecei de forma despretensiosa, mas passei a ir muito bem. Meu trabalho começou a aparecer", conta Jonas, que destaca o aquecimento do mercado nos últimos anos.

"Percebi um crescimento muito grande nos últimos dois anos. As empresas passaram a ver o mercado brasileiro com muito potencial, pela paixão nacional pelo futebol, a população numerosa, etc". Ele destaca também que o brasileiro gosta de apostar, de desafiar a sorte.

No mundo das apostas, uma figura muito conhecida é a do "tipster". Trata-se de um apostador experiente que dá dicas e sugestões de apostas a outras pessoas. O serviço pode ser grátis ou pago (mensalmente). Para não cair em golpes, exige-se que o "tipster" comprove desempenho sólido através de registros nos sites de apostas.

Muitos se utilizam do serviço e delegam essa função a outra pessoa, pois são especializadas na área, que detém conhecimento e tempo disponível para analisar os melhores cenários de aposta. Nessa opção, também é possível navegar em esportes e ou campeonatos que o apostador pouco conhece e, assim, deposita a confiança - e os valores - no tipster para aumentar as possibilidades de ganhos. Esse especialista também fornece dicas e métodos que podem ser utilizados no futuro.

O ritmo de trabalho dos apostadores mais experientes é dinâmico e pode envolver muita adrenalina. Para quem leva a sério, o ramo das apostas traz um mundo de possibilidades a serem exploradas. Existem muitos detalhes e informações para observar, analisar e aprender. Um dos principais e mais populares nomes do ramo é Lucas Tylty, com 1,3 milhão de seguidores no Instagram.

Os apostadores mais lucrativos e com regularidade nos ganhos geralmente sofrem com limite em alguns sites de apostas. Assim, por estarem bloqueados, precisam buscar outra casa de aposta, que não os bloqueie.

A LEGISLAÇÃO DAS APOSTAS ESPORTIVAS - Há três anos, a Fifa divulgou que o mercado de apostas movimentou globalmente aproximadamente US$ 159,7 bilhões durante a Copa do Mundo da Rússia, segundo números da empresa Sportradar. O governo federal estima que ele movimenta cerca de R$ 2 bilhões ao ano no Brasil, mas os valores podem ser ainda maiores. As empresas que operam no Brasil têm sede no exterior.

Em 2018, uma lei foi sancionada para começar a regulamentar as apostas esportivas, mas o processo de conclusão vem se arrastando desde então. "O prospecto da futura regulamentação das apostas esportivas anda a passos de tartaruga. Enquanto o mercado não regulado de apostas prolifera no Brasil sem parar, deixando de pagar qualquer imposto, o governo federal vem batendo cabeça desde 2019 com relação à elaboração do texto legal que fixe as condições de operação no País. Fica até contraditório entender essa demora quando o governo fala em reforma tributária e aumento da arrecadação, sendo que há uma fonte de receitas caindo de maduro para ser explorada", avalia o advogado Eduardo Carlezzo, especialista em direito desportivo.

Neste ano, a regulamentação das apostas esportivas passou por alterações e deve ser concretizada em 2022. As recentes mudanças na legislação alteraram a parte tributária. Antes, a tributação seria sobre a arrecadação bruta e, em julho, mudou para o lucro das empresas, acompanhando o modelo europeu.

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Pedro Ramos