Publicado 21 de Dezembro de 2021 - 8h16

Por O Estado de S.Paulo

Por Redação

O avanço da covid no Reino Unido serve de alerta para outros países. Nesta quarta-feira, 15, Chris Whitty, principal assessor médico do governo britânico, disse que a situação é dramática. "Delta e Ômicron são duas epidemias, uma em cima da outra", afirmou. "A Ômicron vem crescendo rapidamente. A Delta está estável." É a disseminação da nova variante, segundo Whitty, a responsável pelos 78 mil casos registrados em 24 horas, número mais alto desde o início da pandemia.

As autoridades sanitárias britânicas têm afirmado que as hospitalizações em razão da disseminação da variante Ômicron devem aumentar nas próximas semanas. "Um tsunami da Ômicron está vindo", disse Johnson, em um discurso televisionado durante a semana. "Temo que agora esteja claro que as duas doses da vacina simplesmente não sejam suficientes para dar o nível de proteção de que precisamos."

Na terça-feira, 14, o ministro da Saúde do Reino Unido, Sajid Javid, afirmou que os casos da Ômicron estão dobrando a cada dois dias, em um ritmo muito mais rápido que as outras variantes detectadas no país, que precisavam de quatro a cinco dias para fazer o mesmo. Pelos cálculos do governo, a nova cepa poderá infectar 1 milhão de britânicos até o fim do ano, apesar das restrições impostas pelo premiê.

As novas medidas, apelidadas de "Plano B", foram aprovadas na terça-feira pelo Parlamento, mas graças ao apoio da oposição trabalhista - foram 369 votos a favor e 126 contra. No pacote de restrições está a obrigatoriedade do uso de máscara, a exigência do passaporte vacinal em determinados eventos e a imunização de profissionais da saúde.

A vitória em plenário, no entanto, desencadeou uma crise no governo, já que expôs a divisão dentro do Partido Conservador, de Johnson. Quase metade da bancada governista votou contra, principalmente em razão da exigência de certificados de vacinação.

Muitos temem que Johnson tenha perdido o controle do partido, especialmente em razão da revelação de uma festa realizada na sede do governo, no Natal de 2020, quando as comemorações de fim de ano estavam proibidas por conta da covid.

Críticas

Ontem, durante a sessão do Parlamento, o deputado trabalhista Colum Eastwood sugeriu que Johnson deveria renunciar em razão do escândalo, que provocou a demissão de Allegra Stratton, uma assessora. Keir Starmer, líder da oposição, disse que o premiê era "fraco demais" para comandar o país contra a Ômicron. "O primeiro-ministro está tão fraco que, sem a ajuda do Partido Trabalhista, medidas vitais de saúde pública não teriam sido aprovadas", afirmou.

Duas pesquisas revelaram esta semana que a maioria dos britânico quer a renúncia de Johnson. Seu índice de aprovação caiu para 29%, o ponto mais baixo de seu governo, segundo o instituto YouGov. De acordo com a imprensa britânica, membros de seu partido ameaçam pautar um voto de não confiança no Parlamento. Se o premiê não mudar o jogo rapidamente, pode não passar o Natal em Downing Street. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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