Publicado 18 de Dezembro de 2021 - 17h07

Por enviada especial

Por Thaís Ferraz

Em entrevista ao Estadão, o cientista político da Universidade de Nova York, Patricio Navia, explica que a sociedade chilena é politizada, mas que, mesmo assim, a expectativa é de baixa participação eleitoral no segundo turno da eleição, que será realizado amanhã.

Historicamente, a sociedade chilena é politicamente engajada?

Em geral, no Chile, há cada vez menos identificação ideológica com esquerda ou direita. As pessoas se definem mais como de centro. Há uma parte da sociedade que está muito politizada, mas a participação eleitoral é baixa. Quem têm posições claras são aqueles que participam.

Houve intensificação do debate político no Chile nos últimos anos?

Há mais movimentos políticos nas ruas. Vimos marchas importantes. Mas o Chile tem história de ativismo. Veja as manifestações de 2006 e de 2011. Temos tido manifestações por bastante tempo. A sociedade até que está polarizada, mas ainda há pouca participação.

Quais eventos explicam o que acontece hoje no Chile?

O processo constituinte influenciou muito nas eleições presidenciais e nas expectativas das pessoas. Os protestos de 2019 fizeram com que o processo constituinte parecesse uma coisa mágica, que solucionaria todos os problemas do país. As pessoas tinham muitas expectativas de que a nova Constituição daria a todo mundo os seus direitos, ampliaria aqueles que já têm, como aposentadoria e saúde. O processo constituinte criou expectativas altas demais.

O que pode acontecer ao Chile em caso de vitória de Kast ou Boric?

Em ambos os casos, a situação no Chile vai ser muito complexa. Porque, independentemente de quem ganhe a eleição, o país estará passando pelo processo constituinte. Então, a convenção constituinte terá muita influência para decidir o que acontece no próximo governo. O futuro presidente estará um pouco de mãos atadas. É importante entender que a constituinte terá a última palavra. Por isso, tenho a impressão que, se Kast vencer, haverá um confronto entre ele e os constituintes. Se Boric vencer, provavelmente, o conflito não será tão grande, mas ele precisará ser mais moderado para conseguir governar.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Escrito por:

enviada especial Thaís Ferraz