Publicado 25 de Novembro de 2021 - 8h06

Por especial para o Estadão

Por Matheus Mans

Depois de um longo período de interrupção de seus trabalhos, a Cinemateca Brasileira retomou parcialmente as atividades na quinta-feira, 18. A gestão da instituição, que é responsável por preservar e difundir a produção audiovisual brasileira, agora está nas mãos da Sociedade Amigos da Cinemateca (SAC), uma entidade civil sem fins lucrativos.

Essa retomada faz parte de um contrato emergencial, com duração de três meses, entre a SAC e a Secretaria do Audiovisual do Ministério do Turismo, sob os cuidados do governo federal. Entre as medidas tomadas pela sociedade, neste primeiro momento, está a recontratação de parte dos funcionários demitidos, em agosto de 2020, quando a Cinemateca parou totalmente as suas atividades.

Na medida do possível, de acordo com a Sociedade Amigos da Cinemateca, outros colaboradores serão convocados para assumir funções que permitam a recuperação gradual da normalidade de atuação da Cinemateca Brasileira.

"É maravilhoso poder estar de volta com toda a nossa experiência, com funcionários que já estavam lá havia muito tempo e que conhecem a Cinemateca profundamente", diz a professora Maria Dora Mourão, diretora executiva da SAC, em entrevista ao Estadão. "Por outro lado, é uma grande preocupação. Retomar todos os trabalhos depois de tanto tempo não será fácil. São só 18 trabalhadores lá agora, que vão ter de arregaçar as mangas nesse processo de retorno. Em outros tempos, a Cinemateca já chegou a ter 140 trabalhadores."

AVALIAÇÃO DE DANOS

Outra medida tomada neste momento de retomada emergencial é a avaliação minuciosa dos danos causados ao acervo, aos equipamentos e à infraestrutura da Cinemateca depois de quase um ano e meio de fechamento e do incêndio que atingiu o galpão da Vila Leopoldina, em julho. Até o momento, não se sabe o que foi atingido ou comprometido.

"Já conseguiram acertar o funcionamento da rede e estão fazendo testes em computadores e infraestrutura. Devagar, mas sempre", garante a professora. Sobre as consequências do incêndio, ainda não há certeza do que foi afetado. "Ainda não podemos entrar lá. Mas a ideia é esvaziar o galpão da Vila Leopoldina e levar tudo o que há lá para a Vila Clementino." Ela ressalta também a preocupação com os rolos de filmes de nitrato de celulose. "Essa é a nossa maior preocupação. É um material que pode pegar fogo sozinho."

Questionada sobre a reabertura da Cinemateca para o público, a professora Maria Dora afirma que será "basicamente no ano que vem, já que a intenção é primeiro arrumar a casa". No entanto, o Banco de Conteúdos Culturais, no site oficial da Cinemateca, já está acessível.

"Queremos resgatar o prestígio nacional e internacional, retomando o restauro de filmes e toda uma atividade com o público, de difusão e de formação. Afinal, não existe curso de preservação no Brasil, e são poucos os de restauro", explica Maria Dora. "No final das contas, se não há técnicos de restauração, o que acontece com a memória audiovisual? Desaparece."

REABERTURA

A reabertura da Cinemateca Brasileira terá a professora Maria Dora à frente até que o contrato de cinco anos para a gestão da instituição seja firmado. O governo federal fará pagamentos anuais de R$ 14 milhões destinados à manutenção, conservação do acervo audiovisual e ao funcionamento da Cinemateca, com fundos vindos de uma doação da Fundação Vale.

Assim, com este novo desafio pela frente, a SAC está passando por uma reestruturação. Deixa de ser uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) para ser uma Organização Social (OS). Todos os documentos para essa mudança já foram encaminhados. Quando tudo estiver consolidado, a SAC terá uma eleição de conselho e escolha de diretores para gerir, em seguida, a Cinemateca.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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especial para o Estadão Matheus Mans