Publicado 16 de Novembro de 2021 - 18h40

Por Rayssa Motta

A desembargadora Maria do Carmo Cardoso, do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região, em Brasília, suspendeu o inquérito aberto para apurar se o delegado federal Everaldo Jorge Martins Eguchi vazou informações sigilosas de investigações a empresários em troca de financiamento para sua campanha eleitoral. Ele foi candidato a deputado federal em 2018.

Bolsonarista, o delegado foi o principal alvo da Operação Mapinguari, em junho. Na ocasião, policiais federais fizeram buscas e encontraram uma mala com dinheiro vivo, em reais, dólares e euros, que pertenceria a ele.

Ao atender ao pedido apresentado pela defesa, na terça-feira, 9, a desembargadora disse que 'questões políticas e pessoais' foram 'determinantes' para a abertura da investigação contra o delegado.

"Não há fato novo a justificar a investigação do paciente no bojo da Operação Migrador, uma vez que os fatos imputados como criminosos ocorreram em 2018, e as ações contra o requerente remetem ao ano de 2020, ou seja, mais de dois anos depois dos supostos fatos", diz um trecho da liminar que, além de suspender a investigação, autoriza a volta de Eguchi ao cargo. A decisão vale até a análise do mérito.

A investigação contra o delegado foi aberta em 2018. Ele é suspeito de repassar informações sobre a Operação Migrador, conduzida por ele na Delegacia de Polícia Federal de Marabá, que investigou a exploração ilegal de minério de manganês. A PF acredita que parte dos investigados foi previamente informada sobre a operação, o que impediu o cumprimento de mandados de prisão preventiva.

O Ministério Público Federal chegou a comunicar à Justiça que o delegado 'tem se valido de sua função na Polícia Federal para alcançar fins ilícitos e ilegítimos, havendo ele se apropriado, de maneira pouco republicana, do aparelho estatal para privilegiar interesses próprios'.

Além da campanha a deputado federal, Eguchi também disputou a prefeitura de Belém no ano passado pelo Patriota e ficou em segundo lugar na eleição municipal. Ele se diz alvo de uma perseguição política por ser 'conservador e bolsonarista'.

"Como relata a o habeas corpus criminal, não houve comprovação de acusação, diversos indícios de acusações sem fundamento e com questões de oposição política", escreveu em uma rede social. "A decisão judicial resguarda a minha história junto à Polícia Federal, que sempre foi de lutar e defender o Brasil e nossa Constituição.".

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Rayssa Motta