Publicado 16 de Novembro de 2021 - 8h32

Por Alice Ferraz

Conversar com Paulo Borges, figura icônica da moda brasileira e criador da São Paulo Fashion Week, confere uma visão ampla de como o mercado da moda se transformou nos 25 anos de história do maior evento de moda da América Latina. Aliás, chamar a SPFW de evento é olhar para seu passado.

Hoje, Paulo usa com assertividade a palavra plataforma para descrever todas as vertentes que engloba. "A SPFW é um ato coletivo, um espaço de moda onde o evento físico cumpre o papel de articulador e provocador desse mercado, mas nossa atuação vai muito além desse aspecto", afirma Borges. "Enxergamos em 2021 a necessidade de uma agenda de atividades ao longo do ano e criamos o festival SPFW + regeneração, com encontros criativos e mentorias, para núcleos criativos selecionados por todo o País. Procuramos, assim, trazer uma nova inteligência aplicada ao empreendedorismo na moda."

TEMPORADA DE INVERNO

De volta, depois de dois anos de apresentações online, a SPFW ocorre pela primeira vez em formato híbrido. Os desfiles presenciais começam hoje, 16, na Pinacoteca, e vão até 20 de novembro, no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque do Ibirapuera. E se encerram no dia 21, no Rio.

O formato phygital, que une o físico e o digital, traz a possibilidade de os desfiles serem realizados em outras cidades, com transmissão ao vivo, como o da carioca Lenny Niemeyer. Ela vai encerrar as apresentações na cidade de Niterói, na região metropolitana do Rio, comemorando os 30 anos de sua grife de moda praia.

Ao todo 48, marcas apresentarão suas propostas para a temporada de inverno 2022. Paulo ressalta a importância do desfile físico, o contato com o público, o componente humano e afetivo dessa convivência. A passarela de 50 metros onde ocorrerão os desfiles poderá receber confortavelmente o público e é um símbolo da vontade de acolher uma plateia ávida por esse contato.

RELEITURAS

Em contrapartida, a SPFW se une ao Santander Brasil para investir no mais digital aspecto da roupa como comportamento da cultura pop do nosso tempo, as famosas skins, trajes dos personagens de jogos online. Em sua abertura, um desfile físico traz releituras de skins de personagens Free Fire, um dos mais populares do mundo, com 150 milhões de aficionados - o Brasil é o terceiro em audiência.

Para dar vida às novíssimas skins, o stylist Daniel Ueda precisou de tempo para tirar o projeto do universo dos games e levar para o mundo da moda com seus códigos. Rompe-se, enfim, a barreira digital e física da moda brasileira.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Escrito por:

Alice Ferraz