Publicado 15 de Novembro de 2021 - 21h20

Por Daniel Silveira

Na próxima quinta-feira, 18, a Academia Brasileira de Letras vai decidir quem ocupará a cadeira de número 12, que está vaga desde a morte do escritor Alfredo Bosi, em abril deste ano. Na última semana, mais de cem escritores assinaram uma carta em que endossam o apoio à candidatura de Daniel Munduruku, que caso vença, será o primeiro indígena a se tornar um imortal. Concorrem também o médico Paulo Niemeyer, além do poeta e crítico Joaquim Branco.

Entre os escritores signatários da carta, estão nomes como Alice Ruiz, Aílton Krenak, Xico Sá, Marcelo Rubens Paiva e Pedro Bandeira. Este último, autor infanto-juvenil, declarou ao Estadão sua admiração pelo escritor e sua literatura. "Daniel trouxe um outro olhar, uma nova maneira de ver a vida, um modo milenar de sobrevivência, de contemplação da natureza e do mundo que nosso beletrismo não conhecia", diz Bandeira. "Essa pureza de olhar o outro oxigenou nossa literatura. Para mim, Daniel Munduruku não precisa da imortalidade, porque já é eterno. Qualquer ambiente ou grupo só tem a ganhar com sua presença", pontua.

Outro apoiador é Milton Hatoum, que destaca a forma como Munduruku usa suas raízes na literatura, atraindo jovens e adultos. "Ele é um escritor e um educador de grande valor, recorre a mitos de diferentes povos indígenas para escrever suas belas narrativas infanto-juvenis, que fascinam e atraem leitores de todas as idades", argumenta. Ele também pontua a importância de seu trabalho para os povos originários. "Aprecio a obra do Daniel e sua luta política contra esse projeto destruidor das terras e dos povos indígenas", declara.

Daniel Munduruku é autor de mais de 50 livros infanto-juvenis, alguns deles traduzidos para alemão, coreano, inglês e espanhol. "Defendo a candidatura de Daniel Munduruku por considerar que ele tem uma obra literária compatível com as exigências da Academia Brasileira de Letras e que sua eleição seria extremamente saudável para a diversidade de composição daquela instituição", comenta o escritor Luiz Ruffato, mais um a apoiar a presença do indígena na ABL. Entre as signatárias também está Viviana Bosi - filha de Alfredo Bosi, o último dono da cadeira 12.

Os dois livros mais recentes de Munduruku estão entre os finalistas do Prêmio Jabuti: A origem dos Filhos do Estrondo do Trovão e Crônicas indígenas para rir e refletir na escola. "Munduruku é um intelectual indígena e foi dos primeiros a escrever histórias inspiradas na mitologia e no modo de vida dos indígenas brasileiros para o público infantil, expandindo a cultura dos povos originários a todas as crianças brasileiras", diz a carta.

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Daniel Silveira