Publicado 14 de Novembro de 2021 - 16h51

Por Eduardo Gayer

Neste dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) julga a suspensão do orçamento secreto, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que tem "10%" dele na corte com o ministro Kassio Nunes Marques, indicado pelo chefe do Executivo em 2020.

"Não é que eu mande no voto do Kassio, mas o que eu podia apresentar naquele momento para o Senado - que vota pro Supremo, não sou eu, quem vota é o Senado - era o Kassio", disse o presidente em entrevista ao canal bolsonarista Jornal da Cidade Online.

Hoje, o STF tem apenas 10 ministros, e não 11, já que a vaga deixada pelo ex-magistrado Marco Aurélio Mello ainda não foi preenchida. O indicado pelo governo para o posto, André Mendonça, aguarda sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado há quatro meses.

Ao Jornal da Cidade Online, Bolsonaro voltou a defender Mendonça. "Queria que as pessoas que são contra o André falassem que são contra o André. Olha, eu sou contra por causa disso. Mas não tem. São contra pela independência dele, por conta da religiosidade", afirmou.

Um dia após dizer que a ministra Rosa Weber apresentou argumentos injustos ao suspender em caráter liminar o orçamento secreto, esquema revelado em maio pelo Estadão/Broadcast Político, o presidente ainda defendeu o direito de se criticar magistrados, mas não a Corte. "O pessoal critica muito o Supremo Tribunal Federal. Acho que você tem que criticar os ministros. Ministro do Supremo, TCU, parlamentares. A instituição como um todo, não", declarou.

Até o momento, outros três ministros do Supremo já acompanharam a decisão de Rosa Weber em favor da suspensão do orçamento secreto, mecanismo de distribuição de emendas parlamentares sem transparência: Cármen Lúcia, Luís Roberto Barroso e Edson Fachin. Kassio Nunes Marques ainda não se manifestou. Os demais seis integrantes do STF têm até amanhã para depositarem seus votos sobre o caso no sistema remoto.

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Eduardo Gayer