Publicado 14 de Novembro de 2021 - 11h46

Por Redação

As temperaturas congelantes da última madrugada não impediram que centenas de migrantes permanecessem acampados perto da fronteira de Belarus com a Polônia nesta terça-feira, 9. Nesta manhã, o primeiro-ministro polonês visitou a região e as autoridades advertiram que a tensão poderia aumentar nos próximos dias.

Segundo Mateusz Morawiecki, a crise de migrantes na fronteira com Belarus ameaça a estabilidade e a segurança da União Europeia (UE). "Fechar a fronteira polonesa é nosso interesse nacional. Mas agora é a estabilidade e a segurança de toda a União Europeia que estão em jogo", escreveu o chefe de governo polonês no Twitter.

O país acusou Belarus de tentar provocar um grande confronto ao encorajar os migrantes a atravessar para a Polônia, porta de entrada à UE. "Este ataque híbrido do regime de (Alexander) Lukashenko está direcionado a todos nós. Não seremos intimidados e defenderemos a paz na Europa com nossos sócios da Otan e da UE", completou o primeiro-ministro polonês, ao apontar diretamente para o presidente bielorrusso.

Belarus rejeitou o que chamou de acusações sem fundamento da Polônia, que acredita que Minsk está por trás das tentativas de milhares de migrantes de atravessarem a fronteira de maneira irregular.

"O Ministério da Defesa bielorrusso considera infundadas e injustificadas as acusações da parte polonesa", afirmou a pasta em um comunicado, no qual acusa a Polônia de aumentar "deliberadamente" as tensões.

"O ministério da Defesa polonês não está buscando uma solução construtiva do problema e está elevando deliberadamente a atual situação do conflito a um nível político", completa o texto.

O ministério bielorrusso das Relações Exteriores advertiu contra qualquer provocação na fronteira entre os dois países. "Queremos advertir de antemão à parte polonesa contra qualquer provocação contra Belarus para justificar possíveis ações beligerantes ilegais com os migrantes", afirma uma nota.

Milhares de migrantes se concentraram desde segunda-feira na fronteira entre Belarus e Polônia com a esperança de entrar no território da UE, que acusou o presidente de Belarus de orquestrar a onda de migrantes e refugiados em resposta às sanções europeias decididas contra seu país após a brutal repressão sofrida pela oposição.

Preocupada com o aumento das passagens ilegais nas últimas semanas, a Polônia mobilizou um importante dispositivo militar na fronteira. Na segunda-feira, a Polônia impediu uma primeira tentativa de entrada em massa de migrantes e Varsóvia advertiu sobre a presença de milhares de migrantes perto da fronteira, escoltados por forças bielorrussas.

A Otan também criticou Minsk, ao acusar o governo bielorrusso de utilizar os migrantes como "peões políticos".

Vídeos mostram centenas de migrantes caminhando em direção à fronteira polonesa perto da vila de Kuznica e alguns tentando quebrar uma cerca. Imagens publicadas hoje pela polícia polonesa mostraram barracas e fogueiras de migrantes no lado bielorrusso da divisória de arame farpado.

Um porta-voz dos serviços especiais da Polônia disse que as estimativas mostraram que poderia haver até 12.000 migrantes em Belarus. As autoridades polonesas fecharam uma passagem oficial da fronteira com Belarus, perto de onde milhares de migrantes tentaram fazer passar o dia anterior.

A Polônia disse ter destacado mais soldados, guardas de fronteira e policiais, enquanto a vizinha Lituânia afirmou que poderia introduzir um estado de emergência em sua fronteira com Belarus.

A polícia polonesa disse no Twitter que a última noite foi calma, embora uma pedra tenha sido atirada em um carro da polícia, após o confronto de segunda-feira. Um funcionário polonês disse que a tensão poderia aumentar nos próximos dias e que ajuda internacional adicional poderia ser aceita se fosse esse o caso.

Os embaixadores da União Europeia nas Nações Unidas devem se reunir hoje para discutir a tensão, segundo a agência de notícias PAP. A agência de notícias estatal bielorrussa Belta citou o ministro do Interior para dizer que nenhum imigrante havia infringido a lei. (Com agências internacionais).

Escrito por:

Redação