Publicado 13 de Novembro de 2021 - 17h24

Por Davi Medeiros

A vereadora do Novo Janaína Lima afirma, em entrevista ao Estadão, que confia "em seus colegas e nas instituições" e nas investigações sobre o episódio em que ela e sua correligionária Cris Monteiro trocaram agressões na Câmara Municipal de São Paulo. As duas parlamentares foram suspensas pela sigla, e a Câmara apura o caso. Janaína diz agiu em "legítima defesa".

"(Cris Monteiro) me encurralou com muita força e ficou me batendo na parede. Com isso, eu estava totalmente imobilizada, então eu tive que me defender", afirmou Janaína.

Cris Monteiro, que sofre de alopecia - condição em que se perde cabelo de diferentes partes do corpo -, acusa Janaína de arrancar e pisotear sua peruca, humilhando-a. "Obviamente teve combate. Eu jamais faria isso. Respeito muito essa questão da peruca. E principalmente pelo fato de ela ter uma doença autoimune", afirma.

Abaixo, leia os principais trechos da entrevista:

Quem começou a briga e por quê? Por favor, conte em detalhes o que houve.

Eu sinto muito por toda a situação. A verdade dos fatos está disponível a qualquer pessoa que entrar no site da Câmara. Os vídeos são claros e demonstram que as agressões começaram verbais, ainda no plenário, e evoluíram para a agressão física. Eu fui empurrada até o banheiro. Entrou, conosco, um vereador, e a Cristina disse que a conversa tinha de ser entre mim e ela. O vereador saiu, ela trancou a porta, e foi quando as agressões se intensificaram. Eu fiquei tentando me desvencilhar como um ato de legítima defesa.

Qual o histórico de sua relação com a vereadora?

Minha relação com a vereadora era protocolar, profissional.

Nunca chegaram a ter outro desentendimento antes?

Havia desentendimentos profissionais que são inerentes ao exercício das divergências de opinião. Fazem parte do dia a dia do Parlamento. É um partido que tem um alinhamento muito grande, normalmente buscamos votar juntos. Tem os desafios de sermos de uma bancada ideologicamente forte, de um partido que prima por ideias, então sempre tem um esforço maior para entendermos os pontos de vista uns dos outros e obviamente há divergências de opiniões.

Como líder, por que não garantir a fala à colega? Ela diz que a senhora tentou esganá-la, pisoteou sua peruca e a humilhou.

O tempo de fala da vereadora já estava garantido, a única questão era a ordem da fala. Ali não era uma questão de liderança partidária, e sim uma divisão de tempo estipulada pela mesa diretora. Como eu fui a relatora da proposta, juntamente com o Fernando Holiday (Novo), eu inauguraria a fala. O tempo dela estava garantido. No primeiro bloco falariam os relatores e, no segundo, ela, o vereador Fabio Riva (PSDB) e o vereador Rubinho (PSL).

E sobre a peruca?

Quando a gente entrou no banheiro, a vereadora me encurralou na parede com muita força e ficou me batendo na parede. Com isso, eu estava totalmente imobilizada, então eu tive que me defender. Um ato de defesa. Obviamente teve combate. Eu jamais faria isso. Respeito muito essa questão da peruca. E principalmente pelo fato de ela ter uma doença autoimune. Eu não iria pegar a peruca e fazer algo assim. Não tirei a peruca da vereadora, isso pode ter acontecido por causa do conflito corporal, mas jamais foi algo pensado. Ela tem alguns arranhamentos (sic) na cabeça, mas isso jamais foi da minha unha. Nem unha eu tenho, minhas unhas são pequenas.

Como avalia a postura do Novo e da Presidência da Câmara? Como a senhora pretende conduzir esse acontecimento e os desdobramentos?

Eu confio nas instituições. O vídeo está claro, corrobora o que eu tenho apresentado. São coisas que não deveriam ter acontecido e, agora, tem de ter serenidade. Todas as providências legais foram tomadas, a Procuradoria da Casa está recolhendo todos os depoimentos para uma posterior avaliação do procedimento dentro da Câmara Municipal. Eu tenho plena confiança nos meus pares e aguardo os desdobramentos da Justiça com serenidade.

Vocês foram suspensas pelo Novo. Acredita que a atitude do partido foi correta?

Eu acato a decisão partidária, confiando no meu partido.

Lideranças da Câmara falam em cassação. A senhora acredita que será cassada?

É um tema que não chegou ao meu conhecimento. Nós ainda estamos num processo preliminar, então eu confio nos meus colegas e na instituição Câmara Municipal de São Paulo.

A senhora defenderia, se fosse o caso, a cassação da vereadora Cris Monteiro?

Não compete a mim, e, sim, às instituições.

Mas a senhora advogaria pela cassação dela?

Isso não compete a mim.

Como fica seu trabalho na Câmara? Acha que esse episódio pode prejudicar os trabalhos daqui em diante?

Não consigo nem ter cabeça para trazer uma resposta. Ainda estou muito chateada com toda essa situação. Nós representamos uma instituição maior do que esses fatos, por isso acredito muito na condução do partido nesse caso para que tudo se resolva da melhor forma possível. Essa situação é muito nova para mim, sou vereadora há cinco anos. Já tive divergências políticas, mas nunca vivi uma situação de agressão em vias de fato. Estou tentando enfrentar com toda a serenidade que é necessária e que o caso exige.

Escrito por:

Davi Medeiros