Publicado 13 de Novembro de 2021 - 7h39

Por Redação

A China classificou nesta quinta-feira, 4, de "manipulação" um relatório do Pentágono, divulgado na quarta-feira, 3, que alerta para uma expansão mais rápida do que o esperado do arsenal nuclear chinês. "O documento ignora os fatos e está cheio de preconceitos", disse o porta-voz da chancelaria, Wang Wenbin.

O documento do Pentágono estima que a China já possa lançar mísseis armados com ogivas nucleares de terra, mar e ar. "A China está expandindo o número de suas plataformas de lançamento", disse o Departamento de Defesa. "Isso significa que o país, possivelmente, já estabeleceu uma tríade nuclear de sistemas de lançamento e está aumentando sua capacidade de produzir e separar plutônio por meio da construção de reatores reprodutores rápidos e instalações de reprocessamento."

Os EUA acreditam que os chineses terão 700 ogivas nucleares, em 2027, e chegarão a mil, em 2030, um arsenal 2,5 vezes maior do que o previsto pelos americanos há um ano. A avaliação aparece no relatório anual que o Pentágono submete ao Congresso sobre o desenvolvimento militar chinês.

Mesmo se alcançar mil ogivas, o arsenal chinês estaria longe de se igualar aos de EUA e Rússia, que juntos possuem mais de 90% das armas nucleares do mundo. Segundo dados do Instituto Internacional de Pesquisas para a Paz, de Estocolmo, os americanos teriam 5.550 armas. Os russos, 6.255.

A publicação do relatório ocorre no momento em que os americanos se deparam com a modernização militar da China e com o aumento das tensões entre as duas maiores economias do mundo, principalmente em Taiwan. Um oficial do Pentágono disse que o documento teve como base fatos ocorridos no ano passado e não trata das recentes tensões entre EUA e China, incluindo relatos de que os chineses testaram um míssil hipersônico.

EXAGERO

O general Mark Milley alertou que o teste de sistemas hipersônicos da China - incluindo um que foi lançado em órbita - seria um "momento Sputnik" para os EUA, em referência ao impacto do lançamento do satélite soviético, em 1957. Se aperfeiçoada, a tecnologia chinesa seria capaz de enviar ogivas nucleares atravessando o Polo Sul, driblando os sistemas antimísseis americanos no Hemisfério Norte.

A China garante que tudo não passa de paranoia. Ontem, Wenbin disse que os EUA deveriam parar de "perceber a China como uma ameaça imaginária", ao ser questionado sobre os comentários de Milley. Autoridades chinesas garantem que o acúmulo de armas nucleares é apenas de caráter defensivo. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS).

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Escrito por:

Redação