Publicado 12 de Outubro de 2021 - 10h58

Por Redação

No dia em que 56 aeronaves chinesas fizeram incursões na zona de defesa aérea de Taiwan, o maior número em mais de um ano, o governo da China culpou os EUA pela tensão, acusando Washington de agir de forma agressiva na região, prioritária na política externa do governo de Joe Biden. Segundo analistas, as aeronaves chinesas que participaram dos exercícios estariam simulando ataques contra navios americanos.

Desde sexta-feira, dia 1º, quando a China celebrou o 72º aniversário de fundação da República Popular, as autoridades de Taiwan, considerada uma província rebelde por Pequim, registraram a presença de quase 150 aeronaves chinesas em sua Zona de Identificação de Defesa Aérea - apesar de ser considerada espaço aéreo internacional, o território considera que pode exigir que as aeronaves que por ali trafegam se identifiquem por motivos de segurança nacional.

Nas ações desta segunda-feira, 4, segundo o Ministério da Defesa de Taiwan, foram identificados, entre as aeronaves, 34 caças Shenyang J-16 e 12 bombardeiros Xian H-6, que têm capacidade de transportar armas nucleares. Em resposta, caças taiwaneses foram enviados para a área e sistemas de defesa aérea foram postos em prontidão.

Em comunicado, o Conselho de Assuntos do Continente, órgão de Taipé responsável pelas relações entre Taiwan e a China, exigiu que Pequim interrompa o que chamou de "provocações irresponsáveis" e acusou o país de ser o "principal responsável" pelas tensões recentes.

"Nós declaramos firmemente aos comunistas da China, a República da China em Taiwan está determinada a defender sua soberania nacional, sua dignidade e sua paz no Estreito de Taiwan", afirmou o conselho, usando o nome pelo qual as autoridades locais se referem ao território. "Temos amplo conhecimento dos movimentos militares comunistas e adotamos as respostas adequadas. Estamos ainda nos comunicando e cooperando com nações amigas, para conter, de forma conjunta, as provocações maldosas dos comunistas chineses."

Também em comunicado, o Pentágono declarou que o aumento das atividades militares chinesas perto de Taiwan pode desestabilizar a região, além de elevar o risco de um erro de cálculo. "Nosso compromisso com Taiwan é sólido e contribui para a manutenção da paz e da estabilidade ao longo do Estreito de Taiwan e ao redor da região", diz o texto.

'Taiwan pertence à China'

"Taiwan pertence à China e os EUA não estão em posição de fazer essas declarações irresponsáveis. As declarações do lado americano violam seriamente o princípio de 'uma só China' [...] e mandam um sinal extremamente errado e irresponsável", respondeu a porta-voz da chancelaria chinesa, Hua Chunying.

Apesar de as autoridades de Taiwan se considerarem uma nação independente, para Pequim o arquipélago para onde os nacionalistas fugiram ao serem derrotados na guerra civil é parte integrante de seu território. A China vê as parcerias militares taiwanesas com outras nações, como os EUA, como uma violação de sua própria soberania.

Em 1979, quando restabeleceram plenamente as relações diplomáticas com a China, os EUA concordaram em reconhecer Pequim como única representante do povo chinês. Apesar disso, Washington manteve uma aliança com Taipé, incluindo o fornecimento de armas, que em longo prazo busca evitar que a reunificação do território chinês leve Pequim a controlar o Estreito de Taiwan, vital para a navegação na região.

Na entrevista coletiva, a porta-voz chinesa criticou recentes planos de venda de armas americanas a Taiwan, e afirmou que esse tipo de ação "mina as relações entre EUA e China e a paz e a estabilidade da região".

"A 'independência de Taiwan' não leva a lugar algum. A China vai tomar todas as medidas necessárias para esmagar todas as tentativas relacionadas à 'independência de Taiwan'. A China tem uma vontade firme de salvaguardar sua soberania nacional e sua integridade territorial", declarou Hua Chunying.

O governo Biden tem na contenção da China na região do Pacífico uma prioridade. A Casa Branca agora tenta convencer outros aliados a intensificar sua presença no entorno marítimo chinês. Em setembro, EUA, Reino Unido e Austrália anunciaram um novo pacto de segurança para "manter a paz na região Indo-Pacífica" que prevê a construção de uma frota de submarinos nucleares para os australianos.

Embora não seja um acordo de segurança, o chamado Quarteto, com EUA, Índia, Japão e Austrália, também tenta se contrapor aos chineses, agindo em campos como o fortalecimento de cadeias de suprimentos, fornecimento de vacinas e uma alternativa ao plano de investimentos chinês para vários continentes, o Cinturão e Rota.

No mês passado, o porta-aviões USS Ronald Reagan entrou no Mar do Sul da China e participou de exercícios navais nos arredores da ilha japonesa de Okinawa, a cerca de 700 km de Taiwan. Além de um outro porta-aviões americano, o USS Carl Vinson, as operações contaram com a participação de embarcações de Reino Unido, Holanda, Canadá, Japão e Nova Zelândia. (Com agências internacionais).

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