Publicado 12 de Outubro de 2021 - 10h22

Por Francisco Carlos de Assis

Os preços dos medicamentos vendidos aos hospitais no Brasil registraram em setembro uma queda média de 1,31%, segundo o Índice de Preços de Medicamentos para Hospitais (IPM-H), indicador calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo (USP) e Bionexo-Health Tech, líder em soluções digitais para gestão em saúde.

A queda nos preços dos medicamentos no mês passado foi a quarta seguida depois de sucessivas altas registradas nos meses anteriores, marcados pelos picos de internações nos hospitais em decorrência do auge da pandemia do coronavírus. Em agosto o IPM-H já havia registrado queda de 2,29% nos preços dos remédios, após julho, de -1,90%, e em junho, de -0,81%.

Comparativamente, a variação mensal do IPM-H em setembro foi superada pelo comportamento do IGP-M, que caiu 0,64%, pela expectativa de mercado para o IPCA, que subiu 1,16% e variação da taxa média de câmbio, com alta de 0,53%.

"Os últimos resultados do índice refletem o cenário de estabilização dos tratamentos contra o coronavírus e avanço da vacinação em todo o país", afirma Rafael Barbosa, CEO da Bionexo.

O sistema de saúde, segundo Barbosa, está menos pressionado em virtude da maior oferta de medicamentos e menor demanda de pacientes, o que contribui para a acomodação dos preços e normalização do mercado.

O resultado de setembro foi impactado pela variação negativa nos seguintes grupos de medicamentos: sistema nervoso (-5,69%); sangue e órgãos hematopoiéticos (-2,14%); imunoterápicos, vacinas e antialérgicos (-2,06%); aparelho cardiovascular (-1,48%); agentes antineoplásicos (-0,69%); aparelho respiratório (-0,59%) e aparelho digestivo/metabolismo (-0,31%).

Por outro lado, os grupos que tiveram alta mensal foram: preparados hormonais, 2,67%; aparelho geniturinário, 0,93%; órgãos sensitivos, 0,66%; sistema musculoesquelético,0,20% e anti-infecciosos gerais,0,01%.

Acumulado no ano

Mesmo com as quatro quedas consecutivas nos preços dos medicamentos para hospitais, o IPM-H acumula no ano uma alta de 8,49%. O resultado é influenciado por aumentos em quase todos os grupos de medicamentos: preparados hormonais, 19,84%; sangue e órgãos hematopoiéticos, 17,14%; aparelho digestivo e metabolismo, 13,25%; órgãos sensitivos, 11,20%; imunoterápicos, vacinas e antialérgicos, 10,67%; sistema musculoesquelético, 9,09%; sistema nervoso, 6,68%; aparelho respiratório, 5,51%; anti-infecciosos gerais para uso sistêmico, 5,66%; agentes antineoplásicos, 5,34% e aparelho geniturinário, 5,03%.

No acumulado de 12 meses encerrados em setembro, os preços dos medicamentos acumulam uma elevação de 9,15%, impulsionada pelas altas nos grupos aparelho digestivo e metabolismo, 32,54%; sangue e órgãos hematopoiéticos, 18,89%; preparados hormonais, 13,07%; imunoterápicos, vacinas e antialérgicos, 11,63%; órgãos sensitivos, 11,38%; sistema musculoesquelético, 8,82%; agentes antineoplásicos, 7,56%; aparelho respiratório, 6,51%; aparelho geniturinário, 6,42%; sistema nervoso, 5,38%; e anti-infecciosos gerais para uso sistêmico, 1,06%. Em contraste, o grupo de medicamentos atuantes sobre o aparelho cardiovascular registra queda de 7,32% no período.

Sobre o IPM-H

O Índice de Preços de Medicamentos para Hospitais (IPM-H) é uma parceria entre a Fipe e a Bionexo, com o objetivo de disponibilizar informações inéditas e de interesse público relacionadas à área de saúde, com foco no comportamento de preços de medicamentos transacionados entre fornecedores e hospitais no mercado brasileiro.

O IPM-H é elaborado com base nos dados de transações realizadas desde janeiro de 2015 através da plataforma Bionexo, por onde são transacionados mais de R$ 12 bilhões de negócios no mercado da saúde por ano, o que representa cerca de 20% de tudo que é transacionado no mercado privado nacional.

A Health tech conecta mais de duas mil instituições de saúde a mais de 20 mil fornecedores de medicamentos e suprimentos hospitalares. A cada mês e para cada grupo de medicamentos, a Fipe calcula o índice de variação do seu preço em relação ao mês de referência, levando em consideração algumas variáveis que podem ser relevantes para determinar o preço das negociações, incluindo quantidade de produtos transacionada, distância geográfica entre hospitais e fornecedores.

Escrito por:

Francisco Carlos de Assis