Publicado 10 de Outubro de 2021 - 16h12

Por O Estado de S.Paulo

Por Redação

Os Estados Unidos começarão a apresentar sua política externa com a China na próxima semana, seguindo o que o governo de Joe Biden chamou de revisão completa sobre as tarifas de importação e outras medidas impostas pela administração anterior, de Donald Trump.

A representante comercial dos EUA, Katherine Tai, deve falar sobre a nova política na segunda-feira, 4, no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington. Esse seria um primeiro passo para abordar uma série de questões mal resolvidas entre os dois países, quase nove meses após a presidência de Biden.

Os comentários devem trazer uma avaliação mais detalhada da estratégia da China, ainda que diversas políticas específicas tenham de ser implementadas por meio do processo regulatório e, portanto, podem não ser totalmente desenvolvidas em um discurso.

Grupos empresariais têm pressionado o governo Biden por clareza. Entre as medidas, empresários querem saber se a Casa Branca planeja iniciar as negociações com Pequim dando continuidade à Fase Um do acordo comercial, firmada em janeiro de 2020, e se as tarifas sobre as importações chinesas permanecerão. O governo de Trump havia dado esse nome com o objetivo de que os dois lados começassem a negociar rapidamente para a segunda fase. No entanto, quase dois anos depois, isso não ocorreu.

A gestão do ex-presidente impôs tarifas de quase US$ 370 bilhões sobre as importações da China a partir de 2018. Biden, por sua vez, ainda não as modificou, embora as taxas não tenham mais o mesmo impacto de antes. Isso porque os importadores americanos mudaram para produtos da China que não eram atingidos por tarifas. No início deste ano, elas cobriam apenas cerca de US$ 250 bilhões em comércio.

Outra questão a ser resolvida é a extensão do compromisso da China de comprar produtos americanos. Na dita Fase Um, uma peça-chave na negociação foi a promessa de Pequim aumentar suas compras de soja, milho, carne, produtos ligados à energia e bens manufaturados.

O pacto exigia que a China ampliasse as compras de bens e serviços em US$ 200 bilhões extras ao longo de 2020 e 2021. A China perdeu a meta de compras de bens em quase 40% em 2020, de acordo com cálculos de Chad Bown, um bolsista sênior do Instituto Peterson para Economia Internacional, que tem monitorado o esforço. Com quatro meses pela frente em 2021, a China está a caminho de ficar 30% abaixo de sua meta.

O choque econômico causado pela pandemia do coronavírus tornou as metas muito mais difíceis de serem alcançadas do que o previsto. Até agora, não houve consequências para a China.

Outra área em que o governo Biden destacou sua insatisfação são as políticas da China em relação à propriedade intelectual. Em um relatório de abril, a representante comercial do país disse que a China deve fazer mais para proteger a propriedade intelectual dos EUA. Embora o país asiático tenha mudado várias de suas leis conforme o acordo, também adotou novas táticas que, segundo críticos, ameçam mais uma vez minar as patentes americanas. (FONTE: DOW JONES NEWSWIRES)

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