Publicado 10 de Outubro de 2021 - 8h41

Por Redação

A crise migratória envolvendo haitianos se espalhou pelo México, com milhares de imigrantes retidos na fronteira sul, com a Guatemala, e outros lutando para sobreviver no norte, enquanto tentam entrar nos EUA. Nesta quinta-feira, 30, o governo mexicano retomou os voos com deportados e enviou 70 pessoas de volta para o Haiti.

A Secretaria de Relações Exteriores (SRE) do México informou que o retorno de todos os imigrantes era "voluntário". O grupo decolou da cidade de Villahermosa, capital do Estado de Tabasco, para Porto Príncipe. As ações, segundo a SRE, fazem parte de acordos estabelecidos entre os dois países e tinham como objetivo "atender às necessidades dos haitianos no México".

Marcelo Ebrard, chanceler mexicano, disse que muitos refugiados não podem pedir asilo no México porque já receberam esse status em outros países. "Temos de dar refúgio aos haitianos que não ganharam essa condição em outros países", afirmou o chanceler. "Sabemos que existem muitos, mas ainda não sabemos quantos são."

A decisão do governo mexicano foi tomada dias depois de os EUA desmontarem um acampamento provisório com 15 mil imigrantes haitianos na cidade de Del Río, no Texas. A maioria está sendo deportada em sete voos diários para o Haiti - 3,5 mil foram enviados de volta entre os dias 17 e 27 de setembro, segundo a Organização Internacional de Migrações (OIM), ligada à ONU.

Autoridades americanas confirmaram que a entrada de 12,4 mil haitianos foi liberada, para que eles possam acompanhar dentro dos EUA a tramitação do pedido de asilo. A crise migratória, mais visível no norte do México, também se desenrola no sul do país, na fronteira com a Guatemala. Na cidade de Tapachula, no Estado de Chiapas, o governo montou uma estrutura no Estádio Olímpico para receber 2 mil imigrantes.

Nesta quinta-feira, quatro agências da ONU fizeram um apelo para que governos de países da região ofereçam mecanismos de proteção ou acordos legais para defender o direito de milhares de imigrantes haitianos que estão em movimento pelo continente, principalmente com destino aos EUA.

A Agência da ONU para os Refugiados (Acnur), a Organização Internacional para Migrações (OIM), o Unicef e o Alto-Comissariado pediram que os países interrompam as deportações de haitianos "sem uma avaliação adequada". "A ONU e seus parceiros estão prestando assistência básica aos haitianos em vários pontos do trajeto e no Haiti. No entanto, é preciso fazer mais para lidar com suas vulnerabilidades", disseram as agências, em comunicado. (Com agências internacionais).

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