Publicado 14 de Setembro de 2021 - 11h34

Por O Estado de S.Paulo

Por Redação

O presidente russo, Vladimir Putin, entrou em um período de autoisolamento nesta terça-feira, 14, após a confirmação de que pessoas de seu entorno testaram positivo para covid-19.

O anúncio foi feito pelo Kremlin, em uma transcrição de uma ligação entre Putin e o presidente do Tajiquistão, Emomali Rahmon, onde o líder russo afirmou que participará de uma reunião da Organização de Cooperação de Xangai, planejada para o final desta semana na capital tajique, Dushanbe, virtualmente.

"Devido a casos identificados de coronavírus em seu entorno, Vladimir Putin deve respeitar um regime de autoisolamento durante um certo período de tempo", diz um comunicado do Kremlin, acrescentando que o presidente está "absolutamente saudável". O porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, afirmou que Putin foi submetido a um teste de detecção do vírus, mas o resultado não foi divulgado até o momento.

Desde o início da pandemia, as autoridades russas tomaram medidas excepcionais para proteger o presidente, de 68 anos, que foi imunizado com a vacina de fabricação russa Sputnik V. Antes de se reunirem com o presidente, líderes estrangeiros, jornalistas e funcionários de alto escalão tiveram de passar por um autoisolamento.

Putin se reuniu com o presidente sírio, Bashar Assad, e com os atletas russos que voltaram dos Jogos Paralímpicos de Tóquio na segunda-feira, 13. Assad disse que ele e sua mulher se recuperaram da covid-19 em março.

A Rússia está entre os mais atingidos pela pandemia da covid-19. De acordo com dados da Universidade Johns Hopkins, o país é foi o 8º do mundo a registrar mais casos ativos da doença nos últimos 28 dias. O cenário é ainda pior quando considerado o período total da pandemia: com mais de 7 milhões de casos confirmados - número superado apenas por Estados Unidos, Índia, Brasil e Reino Unido - e mais de 190 mil mortos.

População cética sobre vacinas russas

Depois de disparar em agosto, o número de casos chegou a diminuir, mas continua a preocupar. As autoridades não conseguem convencer uma população cética em relação às vacinas, e pesquisas independentes mostram que a maioria dos russos não quer se imunizar.

Apenas 39,9 milhões dos 146 milhões de russos estão totalmente vacinados, segundo o site Gogov, que coleta dados oficiais das regiões.

A Rússia tem várias vacinas de fabricação própria disponíveis para sua população, mas não distribui imunizantes de países ocidentais.

Moscou, epicentro da pandemia no país, e outras regiões implementaram medidas de vacinação obrigatórias para acelerar a imunização. O presidente Putin pede, repetidamente, a seus concidadãos que se vacinem.

A meta do Kremlin era ter 60% da população protegida até setembro, o que não foi atingido, ainda que tenha iniciado sua campanha de vacinação no início de dezembro.

O governo russo foi acusado de subestimar os efeitos da pandemia da covid-19 e de ter desistido de voltar a adotar medidas restritivas após o severo confinamento decretado em 2020.

As autoridades depositaram suas esperanças de conter a pandemia nas quatro vacinas de fabricação nacional - Sputnik V, EpiVacCorona, CoviVac e Sputnik Light (de dose única) -, ainda sem sucesso. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

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