Publicado 10 de Setembro de 2021 - 16h51

Por Sofia Aguiar e Eduardo Gayer

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira, 10, que não é possível "degolar" seus opositores. A fala vem em meio à tentativa do chefe do Executivo de minimizar, a apoiadores, o derretimento de sua base de sustentação após sinalizar nesta quinta-feira, 9, em nota, o recuo em seus ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF). A ofensiva sobre a Corte é incentivada pelos simpatizantes.

"Alguns querem que eu vá lá e degole todo mundo. Hoje em dia, não existe país isolado, todo mundo está integrado ao mundo", justificou o presidente, pedindo, novamente, calma aos presentes após a divulgação da carta. "É preciso Buscar o entendimento o máximo possível", declarou. O presidente repetiu que o "retrato" que fez sobre as manifestações de 7 de setembro em São Paulo não é dele, mas sim do povo.

Apesar de a possível mudança de posicionamento ter causado desalento em parte dos apoiadores, ao ser questionado por um apoiador se a suposta mudança de postura poderia resultar na soltura do deputado preso Daniel Silveira (PSL-RJ), o presidente se mostrou incomodado e disse que, sobre algumas coisas, não poderia comentar. "Tem coisas que não posso falar com você".

Caminhoneiros

Bolsonaro também buscou minimizar o arrefecimento dos bloqueios de caminhoneiros em estradas do País e rechaçou que haja um "recuo" de manifestações bolsonaristas contra o Supremo Tribunal Federal (STF).

"Você quando quer matar um verme, às vezes mata a vaca. Até domingo, se ficar parado, a gente vai sentir, mas se passar disso, complica a economia do Brasil. Ninguém está recuando. Não pode ir pro tudo ou nada", disse o presidente a apoiadores, ressaltando, em seguida, que "aos poucos vai arrumando" o País.

Ontem, Bolsonaro já havia afirmado que as manifestações não poderiam passar de domingo, sob pena de prejudicar o abastecimento nacional, e também já tinha buscado abrandar os efeitos sobre apoiadores de sua "carta de recuo". Hoje, ele confirmou que o ex-presidente Michel Temer editou o documento.

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Sofia Aguiar e Eduardo Gayer